A Vida extra-ordinária de Tarso de Castro (2017)

Brasil (RS-SP-RJ)
Longa-metragem | Não ficção
HD, cor, 90 min

Direção: Zeca Brito, Leo Garcia.
Companhia produtora: Anti Filmes; Boulevard Filmes; Coelho Voador; Epifania Filmes; Canal Brasil

Primeira exibição: Rio de Janeiro (RJ), 19º Festival do Rio [5-15 out]-Première Brasil: Mostra Retratos, Cinépolis Lagoon Sala 5 e Sala 6, 11 out 2017, qua, 18h
Primeira exibição RS: Porto Alegre (RS), Cinemateca Capitólio, 16 maio 2018, qua, 20h (pré-estreia)

 

Tarso de Castro escreveu o seu nome na história do jornalismo brasileiro por ser um dos fundadores do Pasquim e por ser editor da Ilustrada e criador do caderno Folhetim, ambos do jornal Folha de S. Paulo. No entanto, sua trajetória foi muito mais do que isso. Boêmio, provocador, sedutor, revolucionário, este gaúcho de Passo Fundo foi para o Rio de Janeiro para marcar o seu nome como uma das pessoas mais controversas e irreverentes da imprensa e da cultura brasileira. Através de depoimentos de nomes como Caetano Veloso, Jaguar, Eric Nepomuceno, A Vida extra-ordinária de Tarso de Castro destaca histórias que fizeram dele uma personalidade marcante tanto num jornalismo com linguagem mais coloquial e criativa, como também numa vida desregrada que o levou a problemas sérios de saúde causados pelo alcoolismo.

Sinopse


Boêmio. Provocador. Sedutor. Revolucionário. Além de idealizador do Pasquim, Tarso de Castro foi um dos maiores jornalistas do Brasil. Ao investigar sua vida, a recente história do país e o retrato de uma geração que viveu sonhos extraordinários vêm à tona.

Ficha técnica


IDENTIDADES
Arquivo: Tarso de Castro.
Ordem de identificação: Jaguar, Celso de Castro Barbosa, Marceu Vieira, Miguel Faria Jr., Márcio Roberto, Ada de Castro, Luiz Carlos Maciel, Eric Nepomuceno, Martha Alencar, Denize Goulart, Carlos Bastos, Flávio Tavares, Paulo César Pereio, José Trajano, Gerson Pont, Sônia Bertol, Celestino Meneghini, Alex Solnik, Paulo Caruso, Lilian Pacce, Leão Serva, Gilda Midani, Tom Cardoso, Gilka de Castro, Sérgio Cabral, Caetano Veloso, Barbara Oppenheimer, Múcio de Castro Filho, Antonio Pedro, Nelson Motta, Palmério Dória, Laila Andrade, Tessy Callado, Paulo Garcez, João Vicente de Castro, Roberto D'Avila, Ivaldino Tasca, Carlos Alberto Fonseca.
Arquivo: Paulo Francis, Danuza Leão (no Roda viva), Vinicius de Moraes, Clodovil, Caetano Veloso, Tom Jobim, Roberto D'Avila, Elvira Pagã, Susana Gonçalves, Chico Buarque, Leonel Brizola, Jô Soares, Che Guevara, Edu Lobo, Hebe Camargo, José Simão, Rosane Marchetti (repórter, voz).

DIREÇÃO
Direção: Leo Garcia, Zeca Brito.
Assistência de direção: Alice Spitz.

ROTEIRO
Roteiro: Leo Garcia, Zeca Brito.
Pesquisa: Alice Spitz, Sylvio Siffert.
Transcrição e tradução inglês: Ana Carolina Azevedo.

PRODUÇÃO
Produção: Leo Garcia, Letícia Friedrich, Lourenço Sant'Anna, Mariana Mêmis Müller, Zeca Brito.
Produção executiva e direção de produção: Letícia Friedrich, Mariana Mêmis Müller.
Assistência de produção executiva: Henrique Schuck.
Liberação de arquivos: Alice Spitz.

Controle financeiro: Maristela Ribeiro.
Contabilidade: Newton Fischer.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia: Bruno Polidoro.
Operação de câmera (Salvador): Jerônimo Soffer.
Operação de câmera extra (São Paulo): Cosmo Roncon Jr., Pablo Escajedo.
Operação de câmera extra (Rio de Janeiro): Michele Diniz.

SOM
Som direto: Fernando Basso.

MÚSICA
Produção musical: Rita Zart.

Trilha original:
• "Swing para Tarso" (Tiago Abrahão) por Tiago Abrahão
• "Baião doido" (Tiago Abrahão) por Tiago Abrahão
• "Affair" (Tiago Abrahão) por Tiago Abrahão
• "Acalanto para JV" (Tiago Abrahão) por Tiago Abrahão

Músicas:
• "Detalhes" (Roberto Carlos, Erasmo Carlos) por Roberto Carlos (voz) // EMI Songs do Brasil / Amigo Records
• "Meu caro amigo" (Chico Buarque, Francis Hime) por Chico Buarque (voz) // Vermelha / Marola Edições / Nossa Música Edições Musicais / Trevo / Universal Music
• "Cosa nostra" (música, letra: Jorge Ben) por Jorge Ben (voz) e Trio Mocotó // Musisom / Universal Music
• "É proibido proibir" (música, letra: Caetano Veloso) por Caetano Veloso (voz) e Os Mutantes // Uns Produções / Warner Chappell / Universal Music
• "Feijoada completa" (música, letra: Chico Buarque) por Beto Bertrami, Airton Fernandes e Lael Medina // Marola Edições
• "Marcha das mil folhas" por Paulo Caruso (voz, piano)
• "Cálice" (Chico Buarque, Gilberto Gil) por Chico Buarque e Milton Nascimento (vozes) // Gege Produções / Marola Edições / Universal Music [créditos finais]

ARQUIVO
Filmes:
The Magus (Guy Green, 1968, UK) com Candice Bergen / Produção: Fox.
Todas as mulheres do mundo (Domingos Oliveira, 1966, BR) / D. O. Produções Cinematográficas.
Garota de Ipanema (Leon Hirszman, 1967, BR) // Imagens cedidas por Maria Hirszman.
O Gaúcho de Passo Fundo (Pereira Dias, 1978, BR) // Imagens cedidas por Fundação Teixeirinha.
Os Amantes da Pont-Neuf (Les Amants du Pont-Neuf, Leos Carax, 1991, FR) / Produção: Gaumont.
A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the hole, Billy Wilder, 1951, US) / Produção: Paramount.
Bar Esperança (o último que fecha) (Hugo Carvana, 1983, BR) // Imagens gentilmente cedidas por MAC Comunicação e Produção.
Leila Diniz (Luiz Carlos Lacerda, 1987, BR) // Imagens gentilmente cedidas por Luiz Carlos Lacerda [trecho com Tarso de Castro e Louise Cardoso].
Quando os peixes saíram da água (The Day the fish came out, Michael Cacoyannis, 1967, GR-UK-US) / Produção: Fox.
A Idade da terra (Glauber Rocha, 1980, BR) // Imagens cedidas por familiares [trechos com Tarcísio Meira].
O Ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hamburger, 2006, BR) // Imagens cedidas gentilmente por Cao Hamburger e Fabiano Gullane.
O Que é isso, companheiro? (Bruno Barreto, 1997, BR) // Imagens cedidas por Filmes do Equador.
Cabra-cega (Toni Venturi, 2004, BR) // Imagens gentilmente cedidas por Toni Venturi.
Viver por viver (Vivre pour vivre, Claude Lelouch, 1967, FR) / Produção: United.
11 Harrowhouse (Aram Avakian, 1974) / Produção: Fox.

Vídeos de YouTube:
Varela no Congresso (Marcelo Tas, Fernando Meirelles, 1984) // Imagens cedidas gentilmente por Marcelo Tas.
Rio de Janeiro 1977 (Christ the Redeemer).
FIC (1968) – Nelson Motta entrevista Chico Buarque e Tom Jobim.
Throwback Thursday: Che Guevara on U.S. – Cuba relations in 1964.
Entrevista com Glauber Rocha.
Gilberto Gil e Caetano Veloso em Lisboa 1969.
Elvira Pagã & Tarso de Castro.
Brigada Militar reprime ato diante da Prefeitura de Porto Alegre.
Manifestação com choque na Paulista Confronto, tiros bomba, gás e presos.
Polícia desce a lenha em manifestantes do MST contra o governo Temer.
Che Guevara, discurso en la Conferencia de la OEA, Punta del Este, 1962.

Fotografias cedidas por: Paulo Garcez; IMS Instituto Moreira Salles-Reserva Técnica Fotográfica (Autor: David Zingg); Biblioteca Bastos Tigre / ABI Associação Brasileira de Imprensa; Arquivo pessoal Barbara Oppenheimer; Arquivo pessoal de Ada de Castro; Arquivo pessoal de Laila de Andrade; Arquivo pessoal Múcio de Castro Filho; Arquivo pessoal Nelson Motta; Arquivo pessoal Marcio Roberto.
Gravações, filmes, programas e clipes cedidos por: CEDOC TV Bandeirantes; Programa da Hebe, cedido por SBT Sistema Brasileiro de Televisão; Biblioteca Bastos Tigre / ABI; Paulo Francis no Roda Viva, cedido pela TV Cultura.

FINALIZAÇÃO
Montagem: Jardel Machado Hermes.

Coloristas: Daniel Dode, Leonardo Candian, Gustavo Zuchowski.
DCP: Daniel Dode, Gustavo Zuchowski.

Desenho de som e mixagem: Tiago Bello.
Foley: Ivan Lemos, Sérgio Guidoux.
Edição de efeitos sonoros: Marcos Lopes.
Assistência de edição de som: Ray Fisch.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Assessoria jurídica: Drummond & Neumayr Advocacia.
Estúdio de pós-produção de imagem: Post Frontier (Porto Alegre).
Estúdio de edição de som e mixagem: Gogó Conteúdo Sonoro (Porto Alegre).

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: Anti Filmes (Porto Alegre); Boulevard Filmes (São Paulo); Coelho Voador Roteiros (Porto Alegre); Epifania Filmes (Porto Alegre).
Coprodução: Canal Brasil (Rio de Janeiro).
Financiamento (BR/RS): Edital SEDAC nº 11/2014: Concurso RS Polo Audiovisual – Produção de documentário. Pró-cultura RS Lei nº 13.490/2010 FAC Fundo de Apoio à Cultura. Realização: SEDAC Secretaria de Estado da Cultura [SEDACTEL Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer], por intermédio da Diretoria da Economia da Cultura e do IECINE Instituto Estadual de Cinema do RS / Governo do Rio Grande do Sul, em parceria com FSA Fundo Setorial do Audiovisual. Proponente: Leonardo Garcia e Cia. Ltda.. Valor: R$ 250.000,00.
Financiamento (BR): Chamada Pública nº 01/2014 – Arranjos Financeiros Estaduais e Regionais. Recursos públicos geridos pela ANCINE Agência Nacional do Cinema. Investimentos do FSA Fundo Setorial do Audiovisual administrados pelo BRDE Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul. Proponente: Leonardo Garcia e Cia. Ltda.. Valor: R$ 150.000,00.
Apoio: IECINE Instituto Estadual de Cinema do RS; Sony.
Apoio cultural: Guimas; Rodeio – Desde 1958.

AGRADECIMENTOS
Agradecimentos da direção: André da Rocha Ferreira, Clotilde Druck Garcia, Davi de Oliveira Pinheiro, Elis Duda Garcia, Laura Alegria, Maria Helena Giongo Duda, Maria Luisa Teixeira da Luz, Maria Odete Monteiro Teixeira, Mariana Giongo Duda, Norberto Toazza Duda, Paula Ramos, Sapiran Brito, Valter Duro Garcia.
Agradecimentos: ABN, Alexandre Werneck Viana, Ana M. Guimarães, Andréa Margalho, Anielo Darienzo, Arquivo Nacional, Biblioteca Bastos Tigre / ABI, Boca Migotto, Bruno Carvalho, Carlos Alberto Fonseca, Cavist Ipanema, Clarice Magalhães, Cleuton Régis dos Santos Oliveira, Cris Jaqueline da Rosa, Cristovam Buarque, Denize Goulart, Edifício Copan, Eduardo Wannmacher, Família Brito, Família Giongo Duda, Feel Filmes, Flávio Lara Resende, Folha de São Paulo, Francisco Chagas Melo, Frederico Ruas, Gilka de Castro, Grupo Folha, HB Filmes, Ivaldino Antônio Tasca, Jean-Claude Bernardet, jornal O Nacional, Liege Nardi, Luciana Tomasi, Luis Carlos Moreira Cabral, Luiz Carlos Scheneider, Marcos Ferreira Santos, Maria Klenia Nunes Sanchez, Martha Alencar, Mauro Nunes Ferreira, Múcio de Castro Filho, Ossip Bar, Pinacoteca Bar, Rádio UPF, Renato Winckiewicz, Restaurante Fiorentina, Rodrigo Aldeia Duarte, Rodrigo Duarte, Romerito Pontes, Romiro Pontes, Tarcísio Vidigal, Tiro Liro, Tom Cardoso, Toni Venturi, Uns Produções, Vilma Oliveira, Zulmara Izabel Colussi.

Dedicatória: Em memória de Ada de Castro e Celso de Castro Barbosa.

FILMAGENS
Brasil /
RS, em Passo Fundo; Porto Alegre;
SP, em São Paulo;
RJ, no Rio de Janeiro;
BA, em Salvador.
Período: entre 2016 e 2017.

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 1:29:53
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela: 1.85
Formato de captação:
Formato de exibição:
Legendas (DVD institucional): Español, english.
Acessibilidade disponível: AD Audiodescrição + LIBRAS Língua Brasileira de Sinais + LSE Legendagem para Surdos e Ensurdecidos.

DIVULGAÇÃO
Identidade visual e arte gráfica: Leo Lage.

PREMIAÇÃO
• 3º Prêmio ABRA de Roteiro / Associação Brasileira de Autores Roteiristas; cerimônia: São Paulo, Cinemateca Brasileira, 25 out 2019: indicação: roteiro de longa-metragem – documentário.

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa: 12 anos.
Distribuição: Boulevard Filmes (São Paulo).
DVD institucional: Anti Filmes. Autoração: 1º dez 2017.
DVD institucional disponível no IECINE.
Contato:

OBSERVAÇÕES
Grafias alternativas: Sérgio Kalil | Renato Winckiewics | Miguel Faria (identificação) e Miguel Farias Jr. (f) | Ada de Castro (identificação) e Ada Maria de Castro (f) | Luiz Carlos Maciel (identificação) e Luiz Carlos Ferreira Maciel (f) | Martha Alencar (identificação) e Martha Alencar Carvana (f) | Carlos Bastos (identificação) e Carlos Henrique Esquivel Bastos (f) | Sônia Bertol (identificação) e Sônia Regina Schena Bertol (f) | Alex Solnik (identificação) e Alexander Solnik (f) | Leão Serva (identificação) e Leão R. Pinto Serva Neto (f) | Gilka de Castro (identificação) e Gilka Postal de Castro (f) | Palmério Dória (identificação) e Palmério Dória de Vasconcelos (f) | Laila Alves de Azevedo (identificação) e Laila Andrade (f) | Sapiran Coutinho de Brito | Raysa Fisch
Grafias alternativas (funções): Controller | [Estúdio de] Edição de mixagem 

BIBLIOGRAFIA
As referências bibliográficas são de:
RUIZ, Thiana Neto. Transgressão, boêmia e caos: a criação do documentário A vida extra-ordinária de Tarso de Castro (2017). Porto Alegre: PUCRS-Escola de Comunicação, Artes e Design Famecos-Curso de Jornalismo, 2019/2. Orientação: Glênio Póvoas. [monografia]

CARDOSO, Tom. Tarso de Castro: a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2005. 269p.
BERTOL, Sônia. Tarso de Castro editor de O Pasquim. Passo Fundo: UPF, 2001. 96p.
BRAGA, José Luiz. O Pasquim e os anos 70: mais pra epa que pra oba. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1991. 255p.
CASTRO, Tarso de. Pai solteiro e outras histórias. São Paulo: Laser Press, 1990. 270p.
GAGLIETTI, Mauro; CARMO, Aline do; SCHAEFFER, Olmiro (org). Rato de redação: homenagem a Tarso de Castro, um jornalista brasileiro. Passo Fundo: IMED, 2010. 166p.

Noticiário:
CARDOSO, Tom. Silvia Amélia Chagas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 jul 2010.
[www1.folha.uol.com.br/fsp/serafina/sr2707200803.htm]
O Nacional. Arquivos. Passo Fundo, 2015.
[www.onacional.com.br/arq/anuario_especial_08052015_084749.pdf]
STEFANEL, Xandra. Filme resgata a polêmica e transgressora vida de Tarso de Castro – Documentário de Leo Garcia e Zeca Brito revela várias facetas de um dos idealizadores do Pasquim: a paixão pelo jornalismo e pela boemia, a solidariedade com os amigos e os embates com os inimigos. Rede Brasil Atual, São Paulo, 28 maio 2018.
[www.redebrasilatual.com.br/cultura/2018/05/filme-resgata-a-polemica-e-transgressora-vida-de-tarso-de-castro]
SHCOLNIK, Alê. Zeca Brito fala da importância Tarso de Castro e do Pasquim no jornalismo. Rota Cult, Rio de Janeiro, 25 maio 2018.
[rotacult.com.br/2018/05/zeca-brito-fala-da-importancia-tarso-de-castro-e-do-pasquim-no-jornalismo]

Exibições


• Rio de Janeiro (RJ), 19º Festival do Rio [5-15 out]-Première Brasil: Mostra Retratos,
Cinépolis Lagoon Sala 5 e Sala 6, 11 out 2017, qua, 18h
Espaço BNDES, 13 out 2017, sex, 12h30
Ponto Cine, 14 out 2017, sab, 16h

• São Paulo (SP), 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo [19 out-1º nov]-Première Brasil, out 2017

• Floriano (PI), 14º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões [26-30 nov], nov 2017

• Porto Alegre (RS), Cinemateca Capitólio, 16 maio 2018, qua, 20h (pré-estreia)

• Passo Fundo (RS), Bella Città Shopping Center, 21 maio 2018, seg, 21h (pré-estreia)

Lançamento comercial: 24 maio 2018, qui

• Porto Alegre (RS), Espaço Itaú de Cinema Bourbon Shopping Country, 24-30 maio 2018, qui-qua

• Porto Alegre (RS), Cinemateca Paulo Amorim-Sala Eduardo Hirtz,
24-27, 29, 30 maio 2018, qui-dom, ter, qua, 19h
14-17, 19, 20 jun 2018, qui-dom, ter, qua, 19h15

• Caxias do Sul (RS), 24 maio 2018, qui

• Curitiba (PR), 24 maio 2018, qui

• São Paulo (SP), 24 maio 2018, qui

• Rio de Janeiro (RJ), 24 maio 2018, qui
• Niterói (RJ), 24 maio 2018, qui

• Vitória (ES), 24 maio 2018, qui

• Belém (PA), 24 maio 2018, qui

• Aracaju (SE), 24 maio 2018, qui

• Manaus (AM), 24 maio 2018, qui

• Rio Branco (AC), 24 maio 2018, qui

• São Paulo (SP), 19ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro, CineSesc (R. Augusta, 2.075, Cerqueira César; 244 lugares), 10 dez 2018, seg, 19h + 26 dez, qua, 17h

Arquivos especiais


SHCOLNIK, Alê. Zeca Brito fala da importância Tarso de Castro e do Pasquim no jornalismo. Rota Cult, Rio de Janeiro, 25 maio 2018.

Um dos mais importantes e polêmicos jornalistas do Brasil, personagem fascinante e muito complexo do jornalismo que quase teve sua história apagada é lembrada de forma tão urgente, assim como a discussão sobre jornalismo, atualmente. A Vida extra-ordinária de Tarso de Castro relembra a geração de intelectuais que resistiram à ditadura militar e promoveram uma verdadeira revolução nos costumes e na cultura brasileira. O documentário, com direção de Leo Garcia e Zeca Brito, traz depoimentos do cartunista Jaguar, o jornalista Sérgio Cabral (pai), Caetano Veloso, Nelson Motta, Paulo Caruso, Gilda Midani, ex-mulher e mãe de João Vicente de Castro, filho de Tarso, entre outros.

Confira a entrevista com Zeca Brito, um dos diretores e realizadores do longa.

O que te levou a fazer um documentário sobre Tarso de Castro? Como foi o processo de pesquisa?  Como foi o envolvimento do filho dele no processo da construção do filme?

Zeca Brito: Então, o filme é feito em parceria com o Leo Garcia, que tem família em Passo Fundo. Mesmo não sendo leitor do Pasquim, havia na família dele essa memória de que ali na cidade tinha um grande personagem relevante para a cidade e para o Brasil.
Há uns oito anos, o Leo ganhou de presente a biografia do Tom Cardoso, 75 quilos de músculos e fúria, sobre o Tarso de Castro. Lendo o livro, o Leo viu que tinha um personagem pronto e achou que dava um filme de ficção. Ai ele me chamou para conversar e me emprestou o livro. E aí, a gente iniciou o processo de pesquisa e decidimos fazer um documentário. Partimos em busca da pesquisa da Sônia Bertol, que faz toda uma análise da contribuição jornalística do Tarso, da linguagem do Pasquim, do espaço anárquico de convivência.
Uma equipe de pesquisadores passou quase um ano em busca de arquivos na Associação Brasileira de Imprensa e na Biblioteca Nacional. E foi aí que descobrimos que numa reedição do Pasquim, as crônicas do Tarso foram tiradas das republicações. Isso despertou um interesse maior ainda. E ai a gente decidiu buscar essa outra visão da história.
A relação com o João foi muito saudável desde o início. A gente sempre tentou manter certo distanciamento para poder preservar as relações e para poder mostrar no momento certo o filme, podendo tocar em todos os assuntos. Ele foi muito generoso, de não ter nenhum controle sobre o que a gente estava fazendo e nos deixar fazer. Ele entrou no momento certo, quando a gente já estava filmando, inclusive, a gente deixou para fazer a entrevista com ele, por último, muito para também ele estar preparado para entender o personagem e chegar nesse clímax de afeto, que é a existência desse legado que Tarso deixou.

O documentário foge da ideia de ser uma biografia, como foi desenvolvida a questão de sua narrativa?

Zeca Brito: A gente não tinha a preocupação, a intenção de fazer um filme absoluto sobre o Tarso, a proposta é fazer um recorte sobre ele, além do fato da história oficial não ter dado o devido protagonismo que ele merecia ter. A gente resolveu buscar essa outra visão da história. Nesse sentido o filme é bem parcial. É a visão da geração do Tarso sobre ele e os rumos do jornalismo brasileiro.
Fizemos um recorte geracional, através dos diálogos de uma geração trazer o personagem, não necessariamente através de entrevistas unilaterais, onde se estabelece uma relação entre entrevistador e entrevistado. Foi uma linguagem mais informal para a narrativa do filme.
Nós lincamos algumas histórias, anedotas, passagens que a gente achava que eram paradigmáticas no início, no meio e no fim da vida dele. E criamos situações onde os personagens falam dessas histórias. Então, há uma condução, mas é parcial, é uma condução que se dá na construção da cena. Nós sabíamos que se juntasse tal e tal personagem a gente teria a história do Pasquim, por exemplo. A proposta é estabelecer um olhar sobre o Tarso literalmente, falando, sem estabelecer um eixo de olhar.

O documentário tem um olhar poético e visceral, em seus depoimentos. Você insere na montagem grandes nomes da música e do cinema brasileiro, como foi o processo de escolha dos depoimentos?

Zeca Brito: O Tarso está nesse conjunto de coisas, como se fosse um Deus, uma comunicação de algo maior que encontra o Tarso. Por isso, a gente propôs tanto as conversas através de encontros para que esses diálogos acontecessem, como as conversas por telefone que proporcionava chegar a personagens que não queriam nos receber. Então, por exemplo, a gente propõe que o Jaguar ligue para o Ziraldo. Ele não quer dar uma entrevista, mas aceita receber uma ligação do Jaguar, e o Jaguar quase que numa brincadeira reproduz o que o Ziraldo está dizendo do outro lado. Então, a ideia é de mostrar o Tarso, como se ele tivesse presente, através de uma memória afetiva.
A gente tentou buscar a linguagem do Tarso, de ser um cronista do seu tempo, e assim, a geração dele entra em cena. Os personagens do filme são personagens que já habitam o universo do Tarso. Ele se abastecia dessa vida real dos amigos, das pessoas que ele convivia. Construímos o filme, nesse jogo de afeto, com uma visão apaixonada pelo Tarso, declaradamente, por que a visão histórica oficial deixou de lado. A ideia não era mostrar o contraponto, mostrar os dois lados da história, não, era mostrar a visão do Tarso, a visão dos amigos do Tarso sobre ele, sobre a geração e sobre o Brasil.

O Pasquim foi um grande movimento cultural contra a censura. Qual é a importância dele para a cultura tão diversa e ampla que vivemos hoje?

Zeca Brito: Então, qual é o lugar do Tarso no Pasquim? O Tarso é cara que cria o Pasquim, é a raiz dele. Existia o jornal que era a carapuça, que era conduzido pelo Estanislau Ponte Preta, o precursor do jornalismo brasileiro, ai os donos da carapuça chamam o Tarso para dar continuidade. Ele aceita o desafio, mas compondo uma nova equipe e mudando o nome do jornal. Jaguar, Millôr e Ziraldo fazem parte agora.
O Pasquim muda os valores sociais, hierárquicos, com os paradigmas patriarcais e tudo mais. E o jornal tem essa função na sociedade brasileira, uma função anárquica, carnavalizante, de trazer uma ideia tropicalista, de trazer a antropofagia, de se colocar no mesmo lugar de convívio. De ter humor em paralelo a erudição. Ele cria um espaço de convivência que não existia antes. O Tarso é um jornalista completo, que tinha passado por todas as etapas de aprendizado, de execução, de feitura de um jornal. Um grande empreendedor!
O Pasquim tá vivo! O pioneirismo visual foi estabelecido ali. Um jogo de possibilidades muito contemporâneo, inclusive, e causar um enfrentamento, revolucionando o jornalismo.

Tarso é um personagem muito importante dentro da história do jornalismo, é uma grande responsabilidade fazer um documentário sobre ele. Você acha que possível reafirmar a importância do jornalismo através do filme?

Zeca Brito: Eu acho que é justamente isso que a gente tenta, né. Uma primeira impressão é que eles estão criticando o jornalismo atual, mas na verdade o filme é um ode de amor ao jornalismo. A essência do jornalismo. E uma mensagem ao futuro, sim. O Tarso tinha esse tom profético, que o Glauber também tinha que essa geração tropicalista tinha de pensar o passado também, de entender o cosmos e lançar ideias para o futuro.
Independente do que se viva hoje, ou das estruturas patriarcais e patronais serei as mesmas, existe uma centelha que tá na raiz do ser brasileiro, e que passa pela construção da notícia e que o Tarso é um símbolo disso tudo, né. Então é sim uma declaração de amor ao jornalismo, a imprensa, a comunicação e como isso é importante para democracia, para que o pais caminhe bem, conceba um ideal. Eu acho que o Tarso tentava isso, as amizades que ele buscou, os entrevistados, todos eles tinham contribuição de pensar no Brasil.
Às vezes a gente confunde esse aspecto anárquico, ou sedutor, malandro, namorador, por que ele misturava muito a realidade com a profissão. Ele usava o jornal para seduzir as mulheres, para falar mal dos inimigos, mas ao mesmo tempo ele estava fazendo um recorte da realidade que estava vivendo. Ele tinha uma consciência histórica, ele sabia que aquilo era uma construção do tempo, que ele estava elaborando. Ele se preocupava com os caminhos da imprensa. Nesse sentido, o filme é uma ideia plural democrática que representa o jornalismo.

Tarso de Castro faz parte de uma geração de intelectuais que resistiram à ditadura militar e promoveram uma verdadeira revolução nos costumes e na cultura brasileira. Hoje em dia, a nossa cultura não é tão enaltecida, nem reivindicada. Você acredita que seria possível reivindicar pela necessidade do nosso nacionalismo cultural dentro de um novo movimento? Você acha que a gente conseguiria fazer novamente o que Tarso, Jaguar, entre tantos outros fizeram?

Zeca Brito: Eu acho que a tua pergunta me faz pensar em perguntas, não em respostas. Eu te devolvo, te perguntando: Será que o Brasil aceita o Brasil? Será que o Brasil ainda é antropófago? Será que a antropofagia ainda nos une? Eu acho que sim.
Eu acho que enquanto houver carnaval, enquanto houver calor e enquanto houver essa bendita miscigenação, esse encontro que o nosso país proporciona de culturas, de sabores, de ideias, existe esse Brasil. A questão, eu acho que é pensar que esse Brasil precisa ser cultivado, precisa ser rememorado. É um Brasil que nasce lá no Oswald, que passa por essa ideia de construção de um país, tendo sempre presente a noção do perigo que representa o nacionalismo. O nacionalismo é importante como raiz cultural que nos conecta, com as diferenças, com os outros, mas não como um limitador. Essa dimensão humana maior é a mensagem da antropofagia, é a mensagem do Tropicalismo, ela transcende o nacionalismo e acho que essa semente precisa ser cultivada. É uma centelha individual que tem ser provocada na sociedade.
Essa raiz que tem o uirapuru, Macunaíma, Tarso de Castro como personagem ela corre nas nossas veias. Por mais que tempos difíceis existam, onde maior a opressão, maior era a resposta, em termos de ironia, de criatividade e de dialética, que aliás, não era nem compreendida pelo regime que os oprimia, eu acho que esses exemplos históricos que vem lá da mandioca, do milho, ela tá viva. Compreender isso foi à chave do Tarso, compreender o Brasil, viver o Brasil, ser o Brasil, uma provocação de si mesmo.

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
A Vida extra-ordinária de Tarso de Castro. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2024. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/1130/a-vida-extra-ordinaria-de-tarso-de-castro. Acesso em: 18 de abril de 2024.