Gaudêncio! O centauro dos pampas (1971)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Ficção
35 mm, cor, 95 min

Direção: Fernando Amaral.
Companhia produtora: Gemini Produções Cinematográficas

Primeira exibição: Gramado (RS), Cine Embaixador, 18 set 1971, sab (estreia)

 

Gaudêncio! O centauro dos pampas é o último filme produzido por Derly J. Martinez. Com o fracasso da fita, afasta-se do cinema, mudando-se para Minas Gerais. Derly Jukowsky Martinez (Porto Alegre, 31 de maio de 1925. Belo Horizonte, 3 de outubro de 2002) começa como iluminador na Leopoldis-Som Produtora Cinematográfica Brasileira nos anos 40; exerce todas as funções e em menos de dez anos torna-se sócio da empresa porto-alegrense de complementos, cinejornais, documentários. Ele e Fleury Bianchi são responsáveis pela fotografia de dezenas de trabalhos da produtora até assumirem a presidência da empresa, que desde 1961 passa a se chamar Cinegráfica Leopoldis-Som. Além da manutenção e considerável crescimento da produção do cinejornal Atualidades Gaúchas (fase sonora iniciada em 1942) e dos institucionais. Nos 60 produz publicidade para a televisão local. Em meados desta década, a empresa adquire a Magi Som, gravadora de discos em São Paulo. Produz Coração de luto (E. Llorente, 1967), um estouro de bilheteria. Depois de produzir outros sucessos, sem largar a sociedade da Leopoldis-Som, cria um núcleo de longa-metragem – Gemini Produções Cinematográficas – e produz Gaudêncio! O centauro dos pampas, rodado em Gramado e Canela.
Depois de sua modesta carreira nos cinemas este filme raramente foi reexibido tornando-se objeto de culto por sua inacessibilidade. O trunfo maior foi reunir Paulo José e Dina Sfat. Eles formavam o casal de atores mais charmoso, moderno e lindo daqueles idos, mas isso não foi suficiente. No entanto, no catálogo da mostra dedicada aos 40 anos de cinema do ator, o texto da curadora Gisella Cardoso oferece outra leitura 34 anos depois:
"Assumidamente bobo e sarcástico, as piadas do filme são muito boas. A direção de arte, afinada com toda esta brincadeira, é bem teatral e mambembe, utilizando-se de figurinos, adereços e objetos caricatos, quase carnavalescos, numa forma clara de se fazer uma paródia dos filmes americanos do gênero.
Tudo é uma grande brincadeira neste filme e Paulo José está muito à vontade no papel do protagonista. Dá para notar que ele se diverte, improvisa, se empolga, dá saltos perigosos, faz acrobacias e até empina o seu cavalo para justificar a paródia. Tudo isso com uma alegria imensa e contagiante, nesta comédia genial e divertida".
O paulista Fernando Amaral, chamado para dirigir, ficou mais conhecido como ator, particularmente em três filmes de Walter Hugo Khouri. Sua filmografia como diretor é a seguinte: A Penúltima donzela (1969), Quatro contra o mundo (1970, reunião de quatro curtas; o dele é História da praia) e Gaudêncio! O Centauro dos pampas. Ele aparece como ele mesmo dando uma entrevista (falsa) durante a II Mostra do Cinema Nacional de Gramado em janeiro de 1971, revelando-se nisso também como um interessante registro. O Festival com caráter competitivo tem sua primeira edição em 1973.

Sinopse


Uma quadrilha arma um golpe para o roubo de uma jóia numa pequena cidade do interior gaúcho [Gramado], mas não se sente capaz de realizar seu intento sozinha. Por esta razão, contrata dois consagrados e ultrapassados bandidos da cidade grande, Giovanni e Greta, a Mulher Aranha. Porém, na pequena cidade, existe um homem dotado de superpoderes. É ele um coroinha e garçom de hotel que, servindo de cobaia a um cientista louco, se transforma num imbatível justiceiro do bem, Gaudêncio, o centauro dos pampas.

Ficha técnica


ELENCO
Paulo José (Gaudêncio),
Dina Sfat (Greta, a Mulher Aranha), José Lewgoy (Giovanni),
Angelito Mello, Joel Vaz, Yetta Moreira, Cecília Afonso Pena, Anibal Damasceno Ferreira, Shana Vaz, João Carlos Caldasso, Roque Araújo Viana, Gelsi Lemos, Takao Aragawa, Alexandra Maria, George Fox, Nilza Ramos, Carlos Fucs, Rui Favalli Bastide, Alfred Hülsberg, Fernando Amaral.
Participação especial: Eliane Thompson, Edison Acri (Janjão).

DIREÇÃO
Direção: Fernando Amaral.
Assistência de direção: Ieda Inda, Anibal Damasceno Ferreira.
Assistência de continuidade: Doris Martinez.

ROTEIRO
História: Ieda Inda, Anibal Damasceno Ferreira.
Roteiro e diálogos: Fernando Amaral com a colaboração de Paulo José e José Lewgoy.

PRODUÇÃO
Produção: Derly J. Martinez.
Direção de produção: Rui Favalli Bastide.
Gerência de produção: Romeu Dutra.
Assistência de produção: Edison Acri, João Carlos Caldasso.
Secretaria de produção: Nilza Ramos.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia: Fernando Amaral.
Operação de câmera: Ivo Czamanski.

Eletricista chefe: Francis Lagarde,
Eletricistas: Miguel Elias, Armando Stefani.

Fotografia de cena: Denis Martinez.

ARTE
Cenografia: Ieda Inda.
Decoração de interiores: Elisabeth Rosenfeld.

MÚSICA
Seleção musical: Joaquim Assis.

Músicas:
Gioachino Rossini
Carl Maria von Weber
Jacques Offenbach

FINALIZAÇÃO
Montagem: Jayme Justo.

Som: Antonio Gomes.
Efeitos sonoros: Geraldo José, Antônio César.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Película: Kodak Eastmancolor.

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: Gemini Produções Cinematográficas (Porto Alegre).

FILMAGENS
Brasil / RS, em Gramado; Canela (Cascata do Caracol, Igreja).
Período: a partir e durante a II Mostra do Cinema Nacional de Gramado [4-7 jan 1971].

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 95 min
Metragem: 2.626 metros
Número de rolos:
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela:
Formato de captação: 35 mm
Formatos de exibição: 35 mm

DIVULGAÇÃO
Cartaz: 93,4 x 63,3 cm. Impressão: Lito Globo (Porto Alegre). Exemplar com AJP.
Cartazete: cópia Coleção G. Póvoas.

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa: Livre.
Distribuição: Condor Filmes.
Contato: Cinemateca Brasileira.

OBSERVAÇÕES
Filme não visionado.
Misto de policial, ficção-científica e história-em-quadrinhos.
Versos no cartaz: "Por amor a minha prenda / Mato bandido e ladrão / Relinchando de justiça / Dando patada no chão!" (autoria de Anibal Damasceno Ferreira, não creditado).
Eliane Fialho Thompson > Miss Guanabara [Rio de Janeiro] > Miss Brasil 1970.
No Rio de Janeiro, uma semana em cinco salas.
Renda de setembro de 1971 a dezembro de 1973: Cr$ 212.022,22 com 122.226 espectadores.

Títulos alternativos: As Aventuras do capitão Gaudêncio | Gaudêncio, o pistoleiro dos pampas; por equívoco, a publicidade usou o termo pistoleiro em lugar de centauro no título da produção (como no roteiro do JB)
Grafias alternativas: Rui Bastide (ator) e Rui Favali Bastide (direção de produção) | Antonio Cezar | Jaime Soares Justo | Gelcy Lemos (cf. cartazete) | Alexandra Dal Sasso

BIBLIOGRAFIA
Guia de filmes. Rio de Janeiro, nov-dez 1971, p.238, ano V, n.36.
CARDOSO, Gisella (curadoria e textos). Paulo José – 40 anos de cinema. Rio de Janeiro-São Paulo-Brasília: Centro Cultural Banco do Brasil, 2005. 83p. il. (catálogo da mostra homônima)

Noticiário:
LISBOA, Luiz Carlos. Yetta Moreira: o cinema rouba uma atriz de teatro.
GAUDÊNCIO [Anibal Damasceno Ferreira]. Claquete 16. Jornal da Semana, Porto Alegre, 19 set 1971.
AZEREDO, Ely. Saudades da Atlântida. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 dez 1971, Caderno B, p.8, n.222.
HOINEFF, Nelson. Gaudêncio, o centauro dos pampas. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 dez 1971, Ideia Nova, p.6 [BN, p.22], ano LII, n.15.415.

Exibições


• Gramado (RS), Cine Embaixador, 18 set 1971, sab (estreia)

• Porto Alegre (RS), Salão de Atos da UFRGS, 19 set 1971, dom, 20h

• Porto Alegre (RS), Victoria + circuito,
a partir de 20 set 1971, seg, 22h (lançamento)

• Rio de Janeiro (RJ), Condor-Largo do Machado, 20-26 dez 1971, seg-dom, 14h40, 16h20, 19h40, 21h20

• Rio de Janeiro (RJ), Pathé, 20-26 dez 1971, seg-dom, 14h40, 16h20, 19h40, 21h20

• Rio de Janeiro (RJ), Condor-Copacabana, 20-26 dez 1971, seg-dom, 14h40, 16h20, 19h40, 21h20

• Rio de Janeiro (RJ), Paratodos, 20-26 dez 1971, seg-dom, 14h40, 16h20, 19h40, 21h20

• Rio de Janeiro (RJ), Mauá, 20-26 dez 1971, seg-dom, 14h40, 16h20, 19h40, 21h20

• Rio de Janeiro (RJ), Comodoro, 31 jan-6 fev 1972, seg-dom, 14h40, 16h30, 18h20, 20h10, 22h

• Recife (PE), São Luiz, 21-24 fev 1973, qua-sab, 16h30, 18h20, 20h10, 22h

• Recife (PE), Festival Paulo José, Coliseu-Cinema de Arte, 30 nov, 1º dez 1973, sex, sab, 19h10, 21h

• Porto Alegre (RS), Retrospectiva cinema gaúcho [16 set-6 out], Cinemateca Paulo Amorim-[Sala Paulo Amorim], 21 set 1985, sab, 19h, 21h (+ A Cidade e o tempo + Primeira sequência, cena um)

• Rio de Janeiro (RJ), Mostra Paulo José 40 anos de cinema [6-18 set], Centro Cultural Banco do Brasil-Cinema, 7, 9 set 2005, qua, sex, 19h

• São Paulo (SP), Mostra Paulo José 40 anos de cinema [20 set-2 out], Centro Cultural Banco do Brasil-Cinema e Vídeo, 22, 24 set 2005, qui, 18h (+ Cheque-mate, Ricardo Bravo), sab, 18h

• Brasília (DF), Mostra Paulo José 40 anos de cinema [11-23 out], Centro Cultural Banco do Brasil-Cinema e Vídeo, 13, 16 out 2005, qui, 21h (+ Cheque-mate, Ricardo Bravo), dom, 17h (+ Ilha das Flores, J. Furtado)

Arquivos especiais


Crítica:

AZEREDO, Ely. Saudades da Atlântida. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 dez 1971, Caderno B, p.8, n.222.
Depois de A Penúltima donzela, que pelo menos cumpria seus propósitos de cinema digestivo, Fernando Amaral regride. Gaudêncio, a pretexto de desmistificar o machismo, lança três intérpretes de valor numa anti-história onde raramente podemos vislumbrar uma boa gag ou uma alfinetada crítica objetiva. Como na fase áurea da chanchada, os momentos divertidos correm por conta dos atores. (...) Infelizmente, Gaudêncio não está para o cinema brasileiro de hoje como Carnaval no fogo para a produção da fase de apogeu da Atlântida.

BARROS, Luiz Alípio de. Última Hora, Rio de Janeiro, 24 dez 1971.
Comédia com pretensões satíricas, Gaudêncio, se não decepciona no seu todo, falha nas suas intenções. A ideia é boa, porém Fernando Amaral não teve fôlego para levar sua sátira às últimas consequências. (...) Falta a Gaudêncio um roteiro mais arrumado, situações mais inspiradas e um ritmo mais ágil.

HOINEFF, Nelson. Gaudêncio, o centauro dos pampas. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 dez 1971, Ideia Nova, p.6 [BN, p.22], ano LII, n.15.415.
(...) Gaudêncio é – à exceção de sequências dispersas, como a do Festival de Cinema na qual o próprio Fernando Amaral surge empenhando-se numa falácia – sem qualquer dúvida pouco lisonjeiro a seu autor. Trilhando o perigoso caminho da chanchada insuficientemente camuflada, seu herói na tela pouco tem em comum com a imaginosa concepção do papel; as gags fazem insinuar terem sido quase todas geradas depois de tudo pronto, ou mesmo improvisadas e colocadas ao acaso, aclimaticamente, como ressentindo-se de um partner eficiente.
(...)

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Gaudêncio! O centauro dos pampas. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2024. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/144/gaudencio-o-centauro-dos-pampas. Acesso em: 23 de fevereiro de 2024.