Getúlio Vargas (1974)

Brasil (RJ)
Longa-metragem | Não ficção
35 mm, pb, 80 min

Direção: Ana Carolina.
Companhia produtora: Zoom Cinematográfica

Primeira exibição: Rio de Janeiro (RJ), Império (Praça Marechal Floriano, 19) + Caruso (Av. Copacabana, 1.362) + Comodoro (R. Haddock Lobo, 145), 16 set 1974, seg, 14h
Primeira exibição RS: desconhecida

 

"Meu nome é Ana Carolina Teixeira Soares. Originalmente, no entanto, o sobrenome era Tejera Suarez, mas foi aportuguesado pelos meus avós. Meu pai não era homem de ir a comícios, mas esteve no comício de Getúlio Vargas e vibrou com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda, 12 dias antes do suicídio. Esse fato impressionou meu pai muitíssimo, e ele me transmitiu isso! Vargas foi o único filme que assinei com meu nome completo. Depois, só Ana Carolina. Após essa declaração de amor ao pai que fiz em Vargas, sentia que precisava me conhecer melhor".
Sobre o processo do documentário Getúlio Vargas, ela detalha: "(...) em 1972, eu tinha trabalhado na Cinemateca Brasileira, que, na época, ficava numa casa antiga dentro do Parque do Ibirapuera. Eu era chefe do Departamento de Documentação e ficava lá naquela jaula chorando em bicas de angústia e de tristeza, porque todos os dias eu tinha de jogar fora filmes de nitrato, que corriam risco de pegar fogo! Eu também organizava as fotos e os cartazes de filmes antigos. Acho que o nome do meu cargo era diretora de prospecção, ou seja, eu identificava as latas. A Lucila Bernardet, mulher do Jean-Claude Bernardet, era a responsável pela Cinemateca na época. Eu me lembro do Paulo Emilio Salles Gomes e da Lygia Fagundes Telles lá de tarde, tomando café. No fundo, me sentia péssima, desolada, num abandono total! A minha função era jogar na lixeira as latas com os filmes de nitrato que já estavam na iminência de um processo de combustão. Era uma função triste, mas necessária, porque era um perigo tremendo! A Cinemateca podia pegar fogo e a responsabilidade era minha! Eu olhava para aquelas latas preciosas e falava: Esse filme não dá mais! E tchum! Jogava na lata de lixo! Filmes dos anos 1920, dos anos 1930, uma verdadeira tragédia para o arquivo da cinemateca e para o cinema brasileiro! Como fiquei lá mais de um ano comendo nitrato todos os dias, sabia onde estava todo o material de arquivo que acabei utilizando no documentário Vargas.
Fui para São Paulo, entrei na Cinemateca, separei os filmes, enfiei tudo num caminhão e voltei para o Rio! Sei que o material não deveria ter saído assim da cinemateca, mas saiu, com a minha promessa de que faria uma cópia em celulose de tudo que eu recuperasse. E eu fiz! No Rio, entrei em contato com a Celina Vargas, Alzirinha Vargas, Eliomar Balieiro, que atuou como jornalista na revista O Cruzeiro e tinha feito a cobertura das campanhas do ex-presidente, e também com um professor de História do Brasil, que era uma pessoa maravilhosa: Manuel Maurício de Albuquerque. Assisti aos filmes da Cinemateca no próprio projetor 35 mm da Zoom. O projecionista e eu ficávamos vendo o filme da cabine e jogando água no projetor. De verdade! Começava a esquentar, a gente colocava um plástico em cima e jogava água para dar uma esfriada. Vi um material deslumbrante! O meu encantamento pelo Brasil foi absoluto! Total!
Comecei esse trabalho no início de maio e a data da exibição era no dia 24 de agosto. Estava com bom peso, bonitinha, marombada! Quando terminei, estava com a cara coberta de espinhas, 8 quilos mais magra e completamente exausta! Trabalhava das 9 às 2 horas da manhã todos os dias! Também utilizei material do DIP Departamento de Imprensa e Propaganda e algumas coisas da família Vargas, que tinha, por exemplo, o registro sonoro, em disco de acetato, do famoso discurso do Palácio Rio Branco, quando Vargas foi eleito em 1950. Foi o seu primeiro discurso depois de eleito, que é belíssimo: No pórtico desses anos, cheios de otimismo... Esse discurso marca a virada do Vargas fascista para o Vargas mais de esquerda, preocupado com as questões sociais, e termina com uma frase muito forte, de uma beleza muito grande que me emociona até hoje: Hoje estais com o governo, amanhã sereis governo!. No documentário, usei ainda algum material da Agência Nacional, imagens sem identificação que encontrei na Cinemateca Brasileira. Logo em seguida, descobri uma preciosidade no material que achei de 1926, rescaldo do tenentismo, que também estava na Cinemateca: São Paulo nos anos 1920, o centro da cidade, o crescimento das periferias, o embarque e o desembarque das tropas da Revolução Tenentista, que já é a preparação para a Revolução de 1932. Ainda encontrei um material muito bonito do Rio de Janeiro: a praia de Copacabana, o centro da cidade e o alargamento da Avenida Rio Branco".

Sinopse


Vida do ex-presidente do Brasil a partir de cinejornais produzidos pelo DIP e pela Agência Nacional, fotos de época, discos, discursos de Vargas e textos de literatura de cordel.

Ficha técnica


Arquivo: Getúlio Vargas, Aristides Guilhem, Arthur Souza Costa, Darcy Vargas, Felinto Müller, Gustavo Capanema, Oswaldo Aranha, Fernando Costa, Hilde Weber, Silvino Neto, Armando Nascimento, Carmen Miranda, Grande Otelo, Jararaca e Ratinho, Luiz Gonzaga, Oscarito, Virgínia Lane, Waldemar Falcão, Blecaute.
Voz: Alzira Vargas.
Narração: Paulo César Pereio.

DIREÇÃO
Direção: Ana Carolina.

ROTEIRO
Texto: Ana Carolina, Manuel Mauricio Albuquerque.

PRODUÇÃO
Produção: Nei Sroulevich.
Produção executiva: Glaucia Camargos.
Coordenação geral: Miguel Faria Jr..

ARTE
Arte: Vera Roitman.

MÚSICA
Música especial: Jards Macalé.

Músicas (não creditadas):
• "Brasil" por Banda do Corpo de Bombeiros
• "Chattanooga choo choo" (Mack Gordon, Harry Warren) por Carmen Miranda

canções de Lamartine Babo e Mário Reis
• "Cadê Mimi" (Alberto Ribeiro, João de Barro) por Mário Reis
• "Retrato do velho" (Haroldo Lobo, Marino Pinto; marcha) por Francisco Alves

ARQUIVO
ACPJ/II informa que o filme utilizou 252 cinejornais do DIP Departamento de Imprensa e Propaganda e da Agência Nacional, de 1935 e 1954.
Filme: Rio, zona norte (Nelson Pereira dos Santos, 1957, BR) [trecho com Grande Otelo cantando "O Samba não morreu", autoria: Zé Kéti, Urgel de Castro].

FINALIZAÇÃO
Montagem: Luiz Carlos Saldanha.
Assistência de montagem: Mariza Leão.
Técnico de som: José Tavares.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Laboratório: Líder.
Som: Somil.

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: Zoom Cinematográfica (Rio de Janeiro).
Colaboração: Fundação Cinemateca Brasileira sem a qual este filme não seria realizado; Alzira Vargas do Amaral Peixoto, Celina Moreira, professor Manuel Mauricio de Albuquerque, Macalé, José Junqueira, revista O Cruzeiro, jornal O Globo, Douglas Lynch, Cinemateca do MAM (Rio de Janeiro).

AGRADECIMENTOS
Dedicatória: Dedicamos este filme a Alzira Vargas do Amaral Peixoto (créditos iniciais). Dedicamos este filme a José Augusto Rodrigues presidente da Líder Cine Laboratórios pelo seu incentivo à indústria cinematográfica brasileira (créditos finais).

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 80 min
Metragem: 2.200 metros
Número de rolos:
Som:
Imagem: pb
Proporção de tela: 1.33
Formato de captação:
Formato de exibição: 35 mm

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa:
VHS: Distribuição: Globo Vídeo 000522909.
Contato: Ana Carolina.

OBSERVAÇÕES
Grafias alternativas: Ana Carolina Teixeira Soares | Osvaldo Aranha | Marisa Leão

BIBLIOGRAFIA
Guia de filmes, Rio de Janeiro, jul-dez 1974, p.72, ano VIII, n.52-54.

Noticiário:
MERTEN, Luiz Carlos. Getúlio, pai e líder de um povo criança. Folha da Manhã, Porto Alegre, 4 out 1974. Reproduzida em: MERTEN, Luiz Carlos. Um Sonho de cinema. Porto Alegre: Unidade Editorial, Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia-Secretaria Municipal da Cultura-Prefeitura de Porto Alegre; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004. 362p. il. (Escritos de Cinema, 9) p.127-129. [reproduzida em Aquivos especiais, autorizada por Merten]

Exibições


• Rio de Janeiro (RJ), Império (Praça Marechal Floriano, 19), 16-22 set 1974, seg-dom, 14h, 15h40, 17h20, 19h, 20h40, 22h20

• Rio de Janeiro (RJ), Caruso (Av. Copacabana, 1.362), 16-22 set 1974, seg-dom, 14h, 15h40, 17h20, 19h, 20h40, 22h20

• Rio de Janeiro (RJ), Comodoro (R. Haddock Lobo, 145), 16-22 set 1974, seg-dom, 14h, 15h40, 17h20, 19h, 20h40, 22h20

• São Paulo (SP), entre maio 1975 e fev 1976

• São Paulo (SP), Museu Lasar Segall

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Getúlio Vargas. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2024. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/175/getulio-vargas. Acesso em: 17 de junho de 2024.