O Gaúcho de Passo Fundo (1978)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Ficção
35 mm, cor, 107 min

Direção: Pereira Dias.
Companhia produtora: Teixeirinha Produções

Primeira exibição: Porto Alegre (RS), 18 set 1978, seg (lançamento)

 

Como esclarece um dos biógrafos de Teixeirinha, ele "não nasceu em Passo Fundo, como cantou em uma de suas músicas mais conhecidas. Ele sequer se criou no município do Planalto Médio que o adotou como filho mais ilustre. Só morou lá entre 1958 e 1960" (FEIX, p.30). O xote "Gaúcho de Passo Fundo" é o lado A do 78 rpm que estourou com o lado B contendo "Coração de luto", lançado em julho de 1960, as duas incluídas no primeiro LP, O Gaúcho coração do Rio Grande, lançado em novembro daquele ano. O que o levou a receber o título de cidadão passo-fundense em 15 de junho de 1962 pouco antes de lançar em novembro outro de seus muitos sucessos, o LP Saudades de Passo Fundo, contendo a música homônima.

No filme O Gaúcho de Passo Fundo ele recria a cena em que recebe o título de cidadão passo-fundense. Aparecem duas das músicas dedicadas a Passo Fundo, o citado xote (sem artigo) que dá nome ao título do filme (com artigo) e "Passo Fundo do coração" no final. Há uma terceira música que faz referência, mas é de Mary Terezinha, "Sanfoninha velha" que ela canta na Feira Crioula. Como sempre, há um esforço de integração das músicas com a narrativa e neste não é diferente: no geral, há uma coerência.

Se em A Quadrilha do Perna Dura (1976) e em Na trilha da justiça (1977) várias cenas dialogavam com o faroeste (western), este gênero ocupa boa parte em O Gaúcho de Passo Fundo: há séries de tiroteios num capão perto de uma pedreira, Teixeirinha vestido com bombacha, a cavalo, atirando com dois revólveres; os bandidos a cavalo. Tudo faz lembrar desde O Tesouro de Sierra Madre (John Huston, 1948) até as variações do spaghetti-western dos 60. No entanto, se há um gênero predominante é mais uma vez o melodrama que ocupa toda a parte final com Mary sentindo-se traída porque Teixeirinha disse que não era casado e de repente aparece um filho. É o momento perfeito para ele cantar uma guarânia e um tango que expressam seu sentimento de desolação à separação entre eles. Outro elemento recorrente: a diferença social: ele é famoso, rico, da cidade, ela não é famosa, é pobre, do campo.

Mary também canta a clássica valsa "Meu coração te fala" de Pedro Raimundo. Ela está sentada numa cadeira no seu quarto do hospital onde está prestes a receber alta. Ela recebe um presente de Teixeirinha: são seus discos. Ela, abraçada aos discos canta. O melodrama aparece desde o início com a morte dos pais de Mary em conflito trágico, envolvendo fogo (se não há referência direta ao trauma do passado, este é imediatamente transferido para outro personagem). A personagem da atriz Mary Terezinha Brum se chama Mary Terezinha Brum, nome e sobrenome ditos pelo padre na hora do casamento, mas a personagem não é Mary Terezinha cantora, atriz e sanfoneira, aliás, sanfoneira a personagem é, mas não profissional, o que se tornará depois de casar com Teixeirinha, o que fica sugerido quando se apresentam no Cine Teatro Pampa com a vanera "Amor de verdade", com ela já cantando e sanfonando.

Este registro ganha valor de documento uma vez que a sala de dois mil lugares foi demolida em março de 2006. Consta que depois da última sessão em 30 de julho de 1995, houve tentativas de reabertura e ainda ocorreram shows como o de Oswaldir e Carlos Magrão em 14 de dezembro de 2005. O último evento foi uma formatura em 28 de janeiro de 2006. O projeto do Cine Teatro Pampa foi um empreendimento ousado e moderno para sua época pois estava anexado ao Turis Hotel e Restaurante Turis, como uma aposta no turismo, setor que era então pouco explorado. A inauguração do cine teatro e do hotel foi em 1º de maio de 1962 – inclusive filmada pela equipe da Leopoldis-Som para o seu cinejornal Atualidades Gaúchas 416 – poucas semanas antes de Teixeirinha receber o título de cidadão passo-fundense. Além do interior da sala, o filme mostra a fachada quando Teixeirinha atravessa a Rua Bento Gonçalves e adentra na Praça Marechal Floriano onde canta o tango "Migalhas de amor". Antes, em outro momento, quando Pipiolo estaciona em frente a uma banca de revistas, ao fundo aparece a fachada de outra sala, o Cine Imperial – na parte térrea do Edifício Rotta, na Rua General Neto, também em frente à Praça.

Informação recuperada por João Vicente Ribas: "Teixeirinha foi pioneiro no ramo da produção de bens culturais, ao captar verbas públicas para um empreendimento privado com fins lucrativos, que foi o filme O Gaúcho de Passo Fundo. Com projeto aprovado pelo legislativo, o executivo municipal autorizou crédito especial no valor de 250 mil cruzeiros em favor de Teixeirinha Produções Artísticas Ltda.. Durante o trâmite, o prefeito Wolmar Salton justificou constituir-se 'honroso reconhecimento do mérito que soube conquistar esse passo-fundense de tão futuroso porvir, qual seja, Vitor Mateus Teixeira, o nosso Teixeirinha'. Para o alcaide, o filme com certeza seria um estrondoso sucesso de bilheteria e 'indubitavelmente levaria a todos os rincões da pátria a imagem e o destaque que efetivamente a cidade de Passo Fundo merecia'". O prefeito aparece em dois momentos: na Câmara de Vereadores e no final, no palanque.

Em Passo Fundo o filme foi recordista de bilheteria com cerca de 18 mil pessoas em 12 exibições em cinco dias (20 a 24 de setembro) no Cine Teatro Pampa onde ainda ficou até 28, passando a partir do dia 29 no Cine Imperial. Faturamento bruto dos cinco dias: 270 mil cruzeiros (ingresso: 20 cruzeiros; meia-entrada: 10 cruzeiros). A reportagem do correspondente do Correio do Povo que traz estas informações ainda acrescenta: "Essa movimentação é considerada sem precedentes, mesmo para Passo Fundo onde os filmes de Teixeirinha sempre tiveram um público excelente. (...) Teixeirinha utilizou algumas pessoas aqui da cidade como atores. É o caso do advogado Paulo Giongo, que faz o papel de médico e durante muitos anos foi, além de ator, um incentivador do teatro regional".

Sinopse


O cantor Teixeirinha volta à cidade natal, no interior do Rio Grande do Sul. É dia de feira, e Mary, com sua sanfona, canta para chamar a atenção dos fregueses para a sua barraca. Ela se sai bem até que Vitor chega com seu violão e lhe rouba o público.
Espreitando a feira estão alguns ladrões que decidem assaltar a casa da moça, após verem o quanto ela vende e arrecada. O assalto é feito à noite; a família resiste e é morta, com exceção de Mary, que fica ferida no ombro. Teixeirinha, que passeava a cavalo, ouve o tiroteio e vai em socorro da moça, dispersando os bandidos com tiros de revólver. O cantor leva Mary para o meio do mato, e retira a bala com uma faca, a sangue frio: a mulher nem geme. Os dois passam no mato, escondidos dos assaltantes que estão atrás deles, com Teixeirinha cuidando da sanfoneira e cantando para ela.
Um amigo do cantor (Pipiolo), que saíra à sua procura, encontra-o com Mary ainda desmaiada. Vitor lhe pede para trazer um médico, comida e armas, e recomenda-lhe que tome cuidado com os bandidos. O amigo volta para casa, disfarça-se de mulher, e vai, cantando, levar o que Teixeirinha pediu. Depois vai procurar um médico.
No entanto, na cidade, ele descobre que Teixeirinha está sendo acusado do massacre, e por isso pede a Victor, irmão do cantor, para ajudá-lo a raptar um médico e livrar o amigo dos assaltantes. Após socorrerem Mary, os três preparam uma armadilha para os bandidos. O cantor se entrega para o delegado e esclarece o mal-entendido.
Quando Mary acorda, no hospital, está apaixonada pelo seu salvador. No entanto imagina que ele é casado, pois vai visitá-la um menino, Alexandre, que se apresenta como filho do cantor. Teixeirinha em vão tenta dizer-lhe que é viúvo.
Um dia, enquanto cavalga, o menino Alexandre vê a moça perto do túmulo dos pais. Aproxima-se dela e lhe conta que também perdeu a mãe muito cedo. Feliz, ela o abraça. Teixeirinha, que também passa, se junta a eles e finalmente o casamento sai, enquanto o irmão do noivo por sua vez também encontra uma namorada, Maria da Graça.

Ficha técnica


ELENCO
Teixeirinha (Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha),
Mary Terezinha (Mary Terezinha Brum),
Jimmy Pipiolo (Pipiolo),
Teixeirinha Filho (Victor), Alexandre Teixeira (Alexandre), Elizabeth Teixeira (Maria da Graça), Vania Elizabeth (Laura), Darcy Fagundes (João), Tia Eva (Maria),
Zeno Ribeiro (Leão da Serra), Dimas Costa (Delegado), Jesus Tubalcain (Pé de Cabra), Suely Silva (Branca), Loreni Munhoz (Mão de Uva), El Cid (Bandido 1), El Condor (Bandido 2), Valdomiro Mello, Natalino, Zezinho (Gaudério), Pedro Alexandre, Paulo Crespo (Neco).
Não creditados: Pedro Machado, Croaldo do Amaral, Wolmar Salton (Prefeito de Passo Fundo).
Participação especial: Paulo Giongo (Dr. Paulo Souza), Padre Aripe (Padre), Ernesto Scartegagna (Presidente da Câmara de Vereadores de Passo Fundo), Adelar Bertussi, Sayão Lobato (Locutor da Feira Crioula) e o povo de Passo Fundo.

DIREÇÃO
Direção: Pereira Dias.
Assistência de direção: Lourival Pereira.
Continuidade: Gina O'Donnell.

ROTEIRO
Ideia original, roteiro: Pereira Dias.

PRODUÇÃO
Produção: Vitor Mateus Teixeira [Teixeirinha].
Produção executiva: Teixeirinha Filho.
Direção de produção: Octavio Capuano, Paulo Crespo.
Assistência de produção: Jorge Brool.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia: Tony Rabatoni.
Assistência de câmera: Luiz Rossi.
Ajudante de câmera: Sergio Rodrigues.

Eletricista: Helio Martins.
Maquinista: Honorio Oliveira.

ARTE
Maquiagem: Dorival Cabrera (produtos Max Factor).

MÚSICA
Seleção de músicas incidentais: Pedro Amaro.

Músicas (ordem de inserção, não creditadas):
• "Paulistinha bonita" (música, letra: Teixeirinha; rasqueado) por Teixeirinha (voz) [créditos iniciais] [LP: Amor de verdade / Inseparável violão, 1978; faixa B2]
• "Minha sanfona" (música, letra: Mary Terezinha) por Mary Terezinha (voz, a capela) [trecho] [LP: Mary Terezinha, 1973; faixa A3]
• "Verde e amarelo" (música, letra: Teixeirinha; vanera) por Teixeirinha (voz) [LP: Amor de verdade / Inseparável violão, 1978; faixa B4]
• "Sanfoninha velha" (música, letra: Mary Terezinha) por Mary Terezinha (voz, acordeon) [LP: Mary Terezinha, 1978; faixa A1]
• "Meu pingo branco" (música, letra: Teixeirinha; xote) por Teixeirinha (voz) [LP: Amor de verdade / Inseparável violão, 1978; faixa B5]
• "Gaúcho de Passo Fundo" (música, letra: Teixeirinha; xote) por Teixeirinha (voz, violão) e Coro [LP: O Novo som de Teixeirinha, 1977; faixa B1]
• "Não e não" (música, letra: Teixeirinha; rancheira) por Teixeirinha (voz, violão) e Mary Terezinha (voz, acordeon) [em rotação alterada] [LP: O Novo som de Teixeirinha, 1977; faixa B6]
• "Recordações de Ypacaraí" ["Recuerdos de Ypacaraí"] (Demetrio Ortiz, Z. de Mirkin; versão: Juracy Rago; guarânia) por Teixeirinha (voz) [LP: Norte a sul, 1977; faixa A1]
• "Migalhas de amor" (música, letra: Teixeirinha; tango) por Teixeirinha (voz) [LP: O Novo som de Teixeirinha, 1977; faixa A5]
• "Meu coração te fala" (música, letra: Pedro Raimundo; valsa) por Mary Terezinha (voz) [LP: Mary Terezinha, 1978; faixa B2]
• "Amor de verdade" (música, letra: Teixeirinha; vanera) por Teixeirinha (voz, violão) e Mary Terezinha (voz, acordeon) [LP: Amor de verdade / Inseparável violão, 1978; faixa B1]
• "??" hinos? marcha? instrumental
• "Passo Fundo do coração" (música, letra: Teixeirinha; xote) por Teixeirinha (voz, violão) e Coro [LP: O Internacional, 1973; faixa A1]

FINALIZAÇÃO
Montagem: Pereira Dias.

Técnico de som: Orlando Pizzo.
Contrarregragem: Julio Perez Caballar.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Película: Kodak Eastmancolor.
Laboratório de imagem: Revela S.A. Laboratório Cinematográfico (São Paulo).
Estúdio de som: Odil Fono Brasil (São Paulo).

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: Teixeirinha Produções (Porto Alegre).

AGRADECIMENTOS
Agradecimentos: Prefeitura Municipal de Passo Fundo, Câmara Municipal de Passo Fundo, Gaúcha Madeireira S.A., Comercial Busatto, Clube de Caça e Pesca, Sr. Raymundo Bona, Multimóveis, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, 10º Reg. de Cav. Mot., Polícia Rodoviária Federal, Delegacia da VI Região Policial.

FILMAGENS
Brasil / RS, em Passo Fundo e arredores, no Planalto Médio.

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 1:47:29 (DVD)
Metragem: 2.934 metros
Número de rolos:
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela: 1.33
Formato de captação: 35 mm
Formatos de exibição: 35 mm
Tiragem (DVD): AA001000.

DIVULGAÇÃO
Lobby card: 21,8 x 31 cm, cor. Três exemplares diferentes na Coleção G. Póvoas.
Cartaz: 87,7 x 56 cm, cor. Desenho: Benicio. Exemplar com Edison Acri. Exemplar na Cinemateca Brasileira.
Release: Duas laudas com timbre de Teixeirinha Produções, datilografadas com ficha técnica, elenco e sinopse (Acervo P. F. Gastal-Biblioteca Central PUCRS).

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa: Livre.
Distribuição: Teixeirinha Produções.
VHS: Distribuição: São Paulo: Reserva Especial, [199?]; capa reproduz desenho do cartaz original.
DVD: Distribuição: Fundação Teixeirinha DRS2688. Autoração: 27 mar 2013. Sem extras nem encarte. Produção: Teixeirinha Produções Artísticas. Recuperação: Fundação Vitor Mateus Teixeira. Patrocínio BR Petrobras. Lei de Incentivo à Cultura / Ministério da Cultura / Governo Federal; Fundação Teixeirinha. Capa: adaptação do cartaz original com desenho de Benicio.
DVD disponível no IECINE.
Contato: Fundação Vitor Mateus Teixeira.

OBSERVAÇÕES
Complementação aos créditos: ROSSINI.
Teixeirinha Produções: Rua Andrade Neves, 100, conj. 501-502.
Wolmar Antonio Salton, prefeito de Passo Fundo pelo MDB, entre 31 de janeiro de 1977 e 16 de janeiro de 1981. E pelo PTB, entre 1º de janeiro de 1956 e 1º de janeiro de 1960. Pai de Jorge Alberto Salton, psiquiatra, professor da FM-UPF, que vai envolver-se com cinema, realizando longas e curtas a partir de Diga três (2008).

Grafias alternativas: Julio Cabalar | Regina Crespo [Gina O'Donnell] | Loreny Munhoz | Toni Rabatoni | Vitor M. Teixeira | Victor Teixeira Fº (cf. créditos) | Pedro Raymundo
Grafias alternativas (funções): Seleção de músicas

DISCOGRAFIA
Ver Discografias: Teixeirinha + Mary Terezinha.

BIBLIOGRAFIA
ROSSINI, Miriam de Souza. Teixeirinha e o cinema gaúcho. Porto Alegre: FUMPROARTE-Secretaria Municipal da Cultura-Prefeitura de Porto Alegre, 1996. 238p. il.
LOPES, Israel. Teixeirinha – O gaúcho coração do Rio Grande. Porto Alegre: EST Edições-Fundação Vitor Mateus Teixeira, 2007. 215p. il.
FEIX, Daniel. Teixeirinha – Coração do Brasil. Porto Alegre: Diadorim Editora, 2019. 249p. il.

Noticiário:
BECKER, Tuio. Folha da Manhã, Porto Alegre, 23 set 1978.
Filme de Teixeirinha bate recordes em Passo Fundo. Correio do Povo, Porto Alegre, 26 set 1978, Secções, p.17.
BECKER, Tuio. Teixeirinha e o precário cinema gaúcho. Filme Cultura, Rio de Janeiro, ago-out 1982, p.42-43, n.40.
RIBAS, João Vicente. Teixeirinha bangue-bangue. O Nacional, Passo Fundo, 7 set 2013.

Exibições


• Porto Alegre (RS), 18 set 1978, seg (lançamento)

• Passo Fundo (RS), Cine Teatro Pampa, 
20-26 set 1978, qua-ter
27, 28 set 1978, qua, qui

• Passo Fundo (RS), Cine Imperial, 29 set 1978, sex

• Caxias do Sul (RS), Cine Teatro Real,
1º-7 nov 1978, qua-sex, 20h15, sab, dom, 19h30, 21h30, seg, ter, 20h15
8-14 nov 1978, qua-sex, 20h15, sab, dom, 19h30, 21h30, seg, ter, 20h15
18 nov 1978, sab, 14h


• Caxias do Sul (RS), Cine Imperial, 14-20 dez 1979, sex, 20h45, sab, dom, 19h30, 21h30, seg-qui, 20h45

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
O Gaúcho de Passo Fundo. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2024. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/187/o-gaucho-de-passo-fundo. Acesso em: 24 de abril de 2024.