Cenair Maicá – Canto bárbaro e doce (2024)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Não ficção
cor, 96 min

Direção: desconhecido.
Companhia produtora: Vetor8

Primeira exibição: Tucunduva (RS), Praça das Repúblicas (Centro), 25 out 2024, sex, 19h30

 

Cenair Maicá (Tucunduva, 3 maio 1947-Porto Alegre, 2 jan 1989) é considerado um dos quatro troncos missioneiros, ao lado de Jayme Caetano Braun (1924-1999), Noel Guarany (1941-1998) e Pedro Ortaça. O termo designa artistas profundamente ligados ao território das Missões jesuíticas, que ajudaram a construir e difundir uma identidade cultural própria para a região, de grande importância para a história do Rio Grande do Sul. Nascido em Tucunduva (então distrito de Santa Rosa), ele chegou a viver com os pais na Argentina, onde aprendeu a extrair madeira e tocar violão.

A carreira musical começa em 1970, com o compacto Filosofia de gaudério (em parceria com Noel Guarany). As músicas de Cenair Maicá abordaram temas relevantes, como a relação dos índios com a sociedade local (responsável por aprisioná-los e expulsá-los de suas terras). As letras também dialogam com a rotina das classes trabalhadoras, com o curso dos rios e com a própria natureza, antecipando debates atuais em torno da preservação ambiental. Embora os assuntos pudessem ser difíceis ou sofridos, as composições sempre traziam uma certa ternura ou doçura, o que justifica o título do longa-metragem.

Cenair Maicá – Canto bárbaro e doce é uma produção da Vetor8, empresa de Três Passos. O roteiro constrói um grande painel a respeito do biografado, ouvindo pessoas que acompanharam a sua jornada, como os irmãos e sobrinhos, a primeira esposa, alguns de seus filhos e vários amigos. Todos salientam as características e qualidades de músico, descrito como um homem bondoso, gentil e humilde, que se dava muito bem com crianças e estava sempre disposto a ajudar membros da família. De acordo com os relatos, ele foi responsável não apenas por auxiliar na educação de muitos membros do clã, mas também no próprio sustento financeiro de muitos deles, já que trabalhou desde muito cedo. Em uma determinada época, chegou a ser proprietário de um bem-sucedido restaurante, localizado em São Miguel das Missões.

A grande maioria de seus parentes decidiu abraçar o campo musical, sendo o caso mais conhecido o de Valdomiro Maicá. Esse grande grupo de pessoas também se dispôs a atuar em pequenas esquetes que são apresentadas ao longo da narrativa, descrevendo momentos-chave da vida de Cenair, como o nascimento e seu marcante primeiro contato com as águas. Em meio aos depoimentos são apresentadas algumas de suas composições mais marcantes, como "Canto dos livres", "O Louco", "Rio de minha infância" e "Terra vermelha". Um dos melhores depoimentos do filme é o do filho Patrício, que recorda a última conversa que teve com o pai, durante uma urgente viagem de verão, do litoral norte até Porto Alegre. Bastante debilitado em função de problemas de saúde (que envolveram um transplante de rim, sessões de hemodiálise e uma cirurgia no fêmur), o missioneiro faleceu muito cedo, com apenas 41 anos – vítima de complicações decorrentes de uma infecção hospitalar. Ele havia perdido um rim num acidente de carro com apenas 17 anos, e o órgão restante havia começado a falhar.

No encerramento, os entrevistados tentam escolher qual a melhor música de Cenair Maicá. E decidem se reunir para cantar a "vencedora", no meio de um fogo de chão, no interior de uma fazenda, como pedem as tradições gaúchas. Um monumento em homenagem ao artista está localizado em São Miguel. A segunda esposa, Issara Hactz Batista, e seus filhos Gabriel e Catira, não aparecem no documentário.

Sinopse


Vida e obra do compositor e cantor Cenair Maicá, que deu voz aos povos indígenas, balseiros e trabalhadores rurais, revelando suas histórias e lutas. Depoimentos de familiares e amigos em locais emblemáticos de sua trajetória. Interpertação de suas canções por cantores como o irmão Valdomiro Maicá ou Jorge Guedes.

Cartela inicial: // "Da terra nasceram gritos, dos gritos brotaram cantos". //
Cartela final: // "A vida é mais do que pranto, é um sonho". – Cenair Maicá. //

Ficha técnica


ELENCO
Miguel Caraí Maicá ('Mandico', Pai de Cenair Maicá), Gabriela Kerber Tosi Maicá (Mãe de Cenair Maicá), Manuela Tosi Maicá (Cenair Maicá bebê), Juliana de Mello Maicá (Parteira), Patrício Maicá (Cenair Maicá), Pedro de Mello Maicá, Miguel de Mello Maicá (Filho de Cenair Maicá), João de Mello Maicá (Filho de Cenair Maicá), Benício Noal Maicá (Filho de Cenair Maicá), Martina Tosi Maicá (Filha de Cenair Maicá), Vitor Gomes Carvalho (Cenair Maicá adolescente), Cenair Maicá (Valdomiro Maicá criança).

IDENTIDADES
Ordem de identificação:
Valter Portalete (pesquisador),
Valdomiro Maicá (irmão, músico),
Tato Maicá (irmão, músico),
Shirlei Maicá (irmã),
Vitão Maicá (irmão, músico),
Aurora Cristina Gomes Wielens (irmã),
Araken Maicá (sobrinho),
Julia de Mello Maicá (sobrinha neta),
João de Mello Maicá (sobrinho neto),
Atahualpa Maicá (sobrinho, músico; no foyer do Theatro São Pedro),
Vilson Maicá (sobrinho, músico),
Alexandre Maicá (sobrinho, músico),
Armando Maicá (sobrinho, músico),
Augustinho München (amigo),
Edson L. Castanho (amigo),
Luci de Oliveira Maicá (prima),
Maria Geceli Maicá (primeira esposa; no Museu das Missões),
Miguel Caraí Maicá (filho),
Patrício Maicá (filho),
Daniel Torres (músico; no foyer do Theatro São Pedro),
Gilberto Monteiro (músico),
Pedro Ortaça (músico, amigo),
Ângelo Franco (músico),
Ricardo Bergha (músico),
Jorge Guedes (músico, amigo).
Creditados, mas não identificados: Vilson Roque Maicá, Vilmar Antônio Maicá, Cristina Maicá.

DIREÇÃO
Direção geral: Vetor8 Vídeo Produtora.
Assistência de direção: Strawberry Films.
Direção de elenco: Anderson Farias.

ROTEIRO
Roteiro: Strawberry Films.
Historiador: Vinícius Araujo.

PRODUÇÃO
Direção de produção: Mayara Bueno Brum.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia e operação de câmera: Mateus Berlatto.
Iluminação cênica: Schmidt, Bombardelli.

SOM
Som direto: Schmidt, Bombardelli.

MÚSICA
Músicas (ordem de inserção, não creditadas):
• "Balseiros do Rio Uruguai" (música, letra: Barbosa Lessa; chamamé / missioneira) por Valdomiro Maicá
• "Canto dos livres" (música, letra: Cenair Maicá; milonga) por Araken Maicá (violão), Julia de Mello Maicá, João de Mello Maicá (acordeon Giulietti)
• "O Louco" (Cenair Maicá, Chaloy Jara; milonga) por Atahualpa Maicá
• "Rio de minha infância" (música, letra: Cenair Maicá; canção guarany) por Armando Maicá
• "Terra vermelha" (Cenair Maicá, Nelci Padilha; canção guarany) por Potyguara Maicá
• "Mágoas de posteiro" (música: Cenair Maicá, letra: Jayme Caetano Braun; chamarrita) por Patrício Maicá
• "Gana missioneira" (música: Cenair Maicá, Valdomiro Maicá, letra: Nilo Bairros de Brum) por Jorge Guedes
• "Canto dos livres" [reprise]

ARQUIVO
Citações:
Fotografias de: Cenair Maicá e família.

FINALIZAÇÃO
Edição e finalização: não creditado.
Técnicos de áudio: Schmidt, Bombardelli.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Imagens aéreas: Vetor8 (Três Passos).
Produção executiva: Nova Produções (Três Passos).
Direção de arte: Strawberry Films.
Trilha sonora: Studio Midda's (Santo Ângelo).
Edição e finalização: Studio Midda's (Santo Ângelo).

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: Vetor8 – Cultura (Três Passos).
Financiamento (BR/RS): Pró-cultura RS Lei nº 13.490/2010. Realização: SEDAC Secretaria de Estado da Cultura / Governo do Rio Grande do Sul.
Patrocínio: Machry e Cia. – Atacadista e distribuidor; Girando Sol; Vale Log – Cooperativa de Transportes; Cotricampo – Vencendo limites, gerando riquezas!

AGRADECIMENTOS
Agradecimento especial: à toda a família Maicá, aos amigos e fãs do ilustre Cenair Maicá.

FILMAGENS
Brasil / RS, em
São Miguel das Missões, em lugares como: Estátua de Cenair Maicá, em concreto armado, escultor: Vinícius Ribeiro, inauguração: 29 abr 2023; no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo;
Porto Alegre, em lugares como: foyer do Theatro São Pedro;
Três Passos.

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 1:36:14
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela:
Formato de captação:
Formato de exibição:

DIVULGAÇÃO
Programação visual: Pefla – Publicidade e Propaganda.

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa: Livre.
Contato:

OBSERVAÇÕES
Não fica claro se Vilson Maicá e Vilson Roque Maicá são a mesma pessoa.
Tato Maicá e Vitão Maicá estão identificados, mas não listados em entrevistados nos créditos finais.
Vetor8, empresa de Jairo André Renz.

Grafias alternativas: Aurora C. G. Wielens (identificação) e Aurora Cristina Gomes Wielens (créditos finais) | Athaualpa Maicá (i) e Atahualpa Otonelli Maicá (f) | Vilson Maicá (i) e Vilson Maicá e Vilson Roque Maicá (f) | Agostinho München (i) e Marco Augusto Munchen | Edson L. Castanho (i) e Edson Muniz Castanho (f) | Valter Nunes Portalete | Studio Middas | Nova Produções de Eventos Ltda.
Grafias alternativas (funções): Entrevistados | Sonoplastia e Microfonista

DISCOGRAFIA
Cenair Maicá

BIBLIOGRAFIA
PORTALETE, Valter. Terra e cidadania na obra de Cenair Maicá. 2.ed. Santo Ângelo: Editora Metrics, 2021.

Exibições


• Tucunduva (RS), Praça das Repúblicas (Centro), 25 out 2024, sex, 19h30

• YouTube, disponível desde 25 out 2024, sex

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Cenair Maicá – Canto bárbaro e doce. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2026. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/2538/cenair-maica-canto-barbaro-e-doce. Acesso em: 12 de fevereiro de 2026.