Canto da gente – Um filme sobre Os Tápes (2025)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Não ficção
cor, 77 min

Direção: Matheus Borges.
Companhia produtora: ACORDE Associação de Cultura e Desenvolvimento

Primeira exibição: Tapes (RS), Câmara Municipal de Tapes (R. Coronel Pacheco, 274), 5 jul 2025, sab, 19h

 

Fundado em 1971, por José Cláudio Machado (1948-2011) e pelos primos Cláudio Boeira Garcia e José Waldir Garcia (1941-2014), Os Tápes (1971-1984) foi um conjunto musical que revolucionou o cenário artístico do Rio Grande do Sul. Eles propuseram algo novo, que se chocou com o modelo das canções tradicionais que predominavam na época, exaltando a figura clássica do gaúcho e a vida no campo. Ao longo de 13 anos de atividades, a banda teve inúmeras formações, com 35 integrantes no total, e apostou na incorporação de elementos indígenas e africanos no repertório. Muitas composições dialogavam diretamente não com uma figura mítica ou estilizada, mas sim com o homem simples, humilde e trabalhador que dependia da arte para encontrar um pouco de sentido e alegria no dia-dia.

Dirigido por Matheus Borges, Canto da gente – Um filme sobre Os Tápes resgata os principais momentos da trajetória deles, a partir de gravações realizadas em 2006: o início conturbado, marcado pela união de elementos tidos como subversivos demais (Cláudio Boeira Garcia tinha sido preso pelo regime militar), a consagração nas duas primeiras edições da Califórnia da Canção Nativa (Uruguaiana, 1971 e 1972), com "Pedro Guará" (Calhandra de Ouro 1972), a relação paradoxal com a cidade de Tapes (que se dividiu entre apoiar ou rejeitar os músicos), o reconhecimento nacional (advindo de uma parceria com o empresário Marcus Pereira, que os levou para São Paulo), a projeção internacional (que gerou convites para visitarem países como Alemanha e Áustria, ao lado de nomes como Quinteto Violado e Gilberto Gil), o fim da parceria no meio da década de 1980 (justificada por um certo esgotamento da fórmula).

Uma grande curiosidade que envolve Os Tápes é que eles não eram músicos profissionais. Os participantes tinham profissões variadas (professores, funcionários públicos, carpinteiros), precisando dividir o tempo com outros assuntos. O nome foi escolhido como uma homenagem ao município em que a maioria deles morava. Segundo depoimento de um dos ex-membros, Os Tápes teriam feito, em tom gauchesco, um trabalho semelhante ao feito por um Chico Buarque ou um Geraldo Vandré, em termos nacionais. Um dos criadores declara: "O público é que vai determinar quando Os Tapes vão desaparecer. Se é que vão desaparecer". O filme aproveita uma série de conteúdos como áudios, vídeos, reportagens de jornal, fotografias, documentos e capas de discos. Eles estão reunidos em uma página da internet dedicada a preservar o legado do grupo: https://ostapesacervo.com.br/

Em depoimento ao Portal do Cinema Gaúcho, o diretor Matheus Borges descreveu sua ligação com o assunto: "Sempre me encantou a ambiguidade do título do primeiro disco de Os Tápes, Canto da gente. É o ato de cantar, mas também nossa posição do mundo, nosso canto. É uma afirmação da existência, a expressão própria como o lugar que ocupamos. Esse filme é um documentário sobre o grupo, mas também o retrato de um lugar e de uma época. Também é um filme sobre a dificuldade de narrar essas histórias, sujeitas aos ciclos da cultura, de esquecimento e rememoração, algo que era central no trabalho de Os Tápes, um grupo que se dedicou a recuperar diferentes formas artísticas em vias de apagamento. E agora, quarenta anos depois, eles é que são recuperados na forma desse documentário".

Integrantes de Os Tápes (cf. créditos):
Cláudio Boeira Garcia (1971-1986),
José Waldir Souza Garcia (1971-1980),
José Cláudio Machado (1971-1973),

José Rafael Koller (1972-1974),
Luiz Alberto Koller (1972-1974),

Manoel Acy Terres Vieira (1973-1978),
Jorge Alberto Gonçalves (1974-1978),
José Júlio Prestes 'Zezé' (1975-1986),
Airton Kickhöfel Madeira (1979-1982),
Otacílio Lopes Meirelles (1980-1986),

Alberi Gonçalves,
Álvaro Barbosa Cardoso,
Darci Dias Pacheco,
Francisco José Monza Koller,
Jorge Luiz Ferreira,
José Arthur Rebello da Rosa,
Maria Enildes Barbosa Machado,
Ordelino Silva 'Buti',
Pedro Ivo Dapper,
Reni Gonçalves Alencastro,
Ronaldo Ramos Linck,
Silvio Luiz Pereira,
Viro Francisco Frantz.

Sinopse


Tapes é um município localizado às margens da Lagoa dos Patos, Rio Grande do Sul. Na década de 1970, um grupo de jovens amadores da região forma um grupo musical.

Cartelas iniciais: // Tapes, RS / Tapes é um município localizado às margens da Lagoa dos Patos, no litoral sul do estado. / Aqui, na década de 1970, um grupo de jovens amadores formou um grupo musical. //

// 1972 – Com "Pedro Guará", Os Tápes vencem a 2ª Califórnia da canção Nativa. //

// Em 1973, após o sucesso de "Pedro Guará", o fundador José Cláudio Machado deixa o grupo. //

// 1975 – Contratados pela Discos Marcus Pereira, Os Tápes vão a São Paulo para divulgar a coleção Música popular do sul. // Na mesma viagem, o grupo prepara seu primeiro LP, Canto da gente. //

// Canto da gente – Lançado em 1975 //

// A boa repercussão de Canto da gente faz a música dos Tápes chegar a novas audiências. // Com isso, o grupo intensifica sua agenda de shows. //

// 1979 – Os Tápes participam do festival alemão Horizonte 79. Nessa visita à Europa, fazem shows em Berlim e Viena. //

// Após retornarem ao Brasil, o fundador Waldir Garcia decide sair do grupo. //

// Pouco tempo depois, Os Tápes gravam seu último LP. //

// 2006 – Por ocasião das gravações dessas entrevistas, Os Tápes organizam uma confraternização com amigos e familiares. //

Cartelas finais:
// Após integrar diversos grupos, José Cláudio Machado iniciou carreira-solo nos anos 1980, tornando-se uma das vozes mais relevantes da canção nativista do Rio Grande do Sul. É amplamente reconhecida sua interpretação de "Milonga abaixo de mau tempo". Faleceu em 2011, aos 63 anos. //
// Waldir Garcia seguiu carreira de músico e também foi professor da rede pública em Tapes. Com Wado Barcellos, formou o Duo em Preto e Branco. Em 1985, lançaram o álbum Canto operário. A isso, seguiram diversos projetos, muitos deles em parceria com a esposa, Josete Siqueira. Faleceu em 2014, aos 73 anos. //
// Cláudio Boeira Garcia é doutor em Filosofia pela USP. Lecionou por trinta anos na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, no município de Ijuí. Boa parte de sua produção intelectual é dedicada a estudos políticos das obras de [Jean Jacques] Rousseau e de Hannah Arendt. Aposentou-se em 2012 e retornou a Tapes, onde vive até hoje. //
// José Rafael Koller se mudou para Porto Alegre ainda nos anos 1970. Músico profissional, tornou-se figura conhecida na noite porto-alegrense ao tocar tangos em seu instrumento de preferência: o bandoneón. Por quase uma década, foi atração fixa nas noites de terça-feira do Bar Odeon. Aposentou-se em junho de 2019. Faleceu dois meses depois, aos 87 anos. //
// Luiz Alberto Koller graduou-se em História e Direito. Foi funcionário da Prefeitura de Porto Alegre. Após integrar Os Tápes, fez parte do grupo tradicionalista Os Muuripás, dirigido por José Machado Leal. Faleceu em 2019, aos 86 anos. //
// Manoel Acy Terres foi músico e professor da rede pública em Tapes, onde morou a vida inteira. Em 2007, gravou Legatum, seu primeiro trabalho solo. Faleceu em 2009, aos 60 anos. //
// José Júlio Prestes vive em Tapes, onde é funcionário da Prefeitura. Continua fazendo música, porém de forma ocasional. //
// Otacílio Meirelles é músico, pintor e carpinteiro. Trabalha como técnico em segurança do trabalho no Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, no município de Eldorado do Sul. Em 2025, prepara seu primeiro trabalho como músico solo, um EP intitulado Mar de dentro. //

Ficha técnica


IDENTIDADES
Arquivo (ordem de identificação; em 2006 quando não indicado):
Cláudio Boeira Garcia (Os Tápes 1971-1986),
Waldir Garcia (Os Tápes 1971-1980).
16 dez 1994: Waldir Garcia, José Rafael Koller (Os Tápes 1972-1974), Luiz Alberto Koller (Os Tápes 1972-1974).
Danilo Ucha (jornalista),
Henrique Dias de Freitas Lima (presidente da 1ª Califórnia da Canção Nativa),
Acy Terres (Os Tápes 1973-1978),
Juarez Fonseca (jornalista).
Vozes: Carolina Andrade (diretora artística Discos Marcus Pereira), Marcus Pereira (entrevista em 1975), Jayme Caetano Braun (ao vivo no Anhembi, São Paulo, 1975).
José Júlio Prestes 'Zezé' (Os Tápes 1975-1986),
Antonio Hohlfeldt (jornalista),
Otacílio Meirelles (Os Tápes 1980-1986),
Ênio Graeff (dentista, colaborador dos Tápes),
Airton Madeira (Os Tápes 1979-1982),
Jorge Alberto Gonçalves (Os Tápes 1974-1978),
Silvio Rebello (artista plástico).

DIREÇÃO
Direção: Matheus Borges.
Entrevistas (2006): Ana Júlia Tiellet, Ângelo Manjabosco, Maitê Mendonça.

ROTEIRO
Roteiro: Matheus Borges.
Pesquisa: Camila Padilha Costa.
Projeto idealizado por: Cláudio Boeira Garcia.

PRODUÇÃO
Produção executiva: Tiago Fernandes.
Assistência de produção: Camila Padilha Costa.

FOTOGRAFIA
Arquivo.

SOM
Som (não creditado): arquivo: som da câmera, provavelmente.

MÚSICA
Músicas:
• "Continente americano" (música, letra: Cláudio Boeira Garcia; tema latino-americano)
• "Vida, cisma e canto de um farrapo" (Cláudio Boeira Garcia, Waldir Garcia, José Cláudio Machado)
• "Pedro Guará" (Cláudio Boeira Garcia, José Cláudio Machado; milonga pampeana)
• "Funeral guarani" (Álvaro Barbosa Cardoso, Waldir Garcia, José Rafael Koller)
• "Gauchê" (Cláudio Boeira Garcia, José Rafael Koller; tema de lenda pampeana)
• "Dança da Lagoa do Sol" (música, letra: Waldir Garcia; tema de inspiração indígena)
• "Versos perplexos" (Cláudio Boeira Garcia, Jorge Luiz Ferreira; milonga)
• "Charqueada" (música, letra: Airton Pimentel; canção) por Acy Terres
• "Marcha do emboaba" (música, letra: Correia da Cunha)
• "Trinta anos" (João Prass, Jorge Raab)
• "Cantigas do Maçambique" // domínio público
• "Olegário" (música, letra: Otacílio Meirelles)
• "Teatino" (música, letra: Cláudio Boeira Garcia)
• "Sinais" (música, letra: Otacílio Meirelles)
• "Canto da gente" (Álvaro Barbosa Cardoso, Waldir Garcia; milonga)

ARQUIVO
Consultoria e material de arquivo, incluindo fotografias e jornais: Os Tápes – Acervo.

Trechos de filmes em domínio público:
El Último malón (Alcides Greca, 1917, AR).
En tierras nuevas donde el oro abunda (François Verstraeten, Matilde Anchorena de Verstraeten, 1924, BE-AR).
Historia de un gaucho viejo (José J. Romeu, 1924, AR).

Citações:
Capas LPs:
Carlos Di Fulvio. Canto monumento. Em memória de José Maria Paz.
Música popular do sul 2 (1975).
Os Tápes. Canto da gente (1975).
Os Tápes. Não tá morto quem peleia (1978).
Os Tápes. Os Tápes (1982).
Estações das Águas. Lagoa dos Patos (2002).

FINALIZAÇÃO
Montagem: Matheus Borges.
Desenho de som e mixagem: Matheus Borges.

EQUIPE ACORDE Associação de Cultura e Desenvolvimento
Diretor presidente: Antonio Carlos Sperb Paganelli.
Diretor vice-presidente: Vainer Heleno da Silva Rocha.
Direção administrativo-financeiro: Tiago Fernandes.
Direção jurídico: Geferson Pereira.
Direção de comunicação: Camila Padilha Costa.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: ACORDE Associação de Cultura e Desenvolvimento (Tapes).
Financiamento (BR>RS): Edital. Recursos do MinC Ministério da Cultura – Governo Federal – Brasil – União e reconstrução, repassados por meio da LPG Lei Paulo Gustavo Lei Complementar nº 195, de 8 de julho de 2022. Realização: Secretaria de Educação e Cultura-Prefeitura de Tapes.

AGRADECIMENTOS
Agradecimentos: Adriano Pinzon, Beto Rodrigues, Carolina Vicentini, Cláudio Boeira Garcia, Cristiano Heredia, Davi de Oliveira Pinheiro, Felipe Misale, Gilson Vargas, Henrique de Freitas Lima, José Julio Prestes, Juarez Fonseca, Kátia Garcia, Loiva Koller, Luiz Antonio Monza Koller, Mariana Schuster, Otacílio Meirelles.

FILMAGENS (arquivo)
Brasil / RS, em Tapes; Porto Alegre.
Período: 2006.

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 1:17:08
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela:
Formato de captação:
Formato de exibição:

DIVULGAÇÃO
ostapesacervo.com.br

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa: Livre.
Contato:

OBSERVAÇÕES
Créditos finais: // Tapes, RS – 2025 //

Títulos alternativos: Canto da gente: um filme sobre Os Tápes
Grafias alternativas: Henrique de Freitas Lima [= Henrique Dias de Freitas Lima; pai] e Henrique Forster de Freitas Lima [= Henrique de Freitas Lima; filho] | José A. Romeu | "Funeral guarany"
Grafias alternativas (funções):

DISCOGRAFIA
Os Tápes
José Cláudio Machado

BIBLIOGRAFIA

Exibições


• Tapes (RS), Câmara Municipal de Tapes (R. Coronel Pacheco, 274), 5 jul 2025, sab, 19h

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Canto da gente – Um filme sobre Os Tápes. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2026. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/2657/canto-da-gente-um-filme-sobre-os-tapes. Acesso em: 12 de fevereiro de 2026.