Crônicas do fogo cruzado (2025)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Não ficção | Universitário
cor, 83 min

Direção: Alisson Santos.
Companhia produtora: UniRitter Centro Universitário Ritter dos Reis; FACS Faculdade de Comunicação Social; Curso de Jornalismo

Primeira exibição: desconhecida

 

Documentário produzido como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da UniRitter Centro Universitário Ritter dos Reis, no semestre 2025/2. Em Crônicas do fogo cruzado, o aluno Alisson Santos entrevista repórteres gaúchos do Grupo RBS que tiveram a oportunidade de cobrir guerras e grandes conflitos mundiais, com o objetivo de compartilhar suas experiências e dar dicas aos recém-formados na profissão. Os escolhidos são Carlos Alberto Kolecza (enviado pelo jornal Zero Hora para cobrir a Guerra do Vietnã, em 1967), Rodrigo Lopes (profissional de mídia e acadêmico que já esteve em cinco fronts), Humberto Trezzi (especialista na área da segurança pública, que acompanhou a Primavera Árabe de 2011), Marcelo Rech (veterano que cobriu a Guerra do Golfo e a Guerra da Iugoslávia nos anos 1990) e Geraldo Canali (responsável pela cobertura da Guerra das Malvinas para a TV Globo, em 1982).

Cada um deles oferece ótimas histórias de bastidores sobre as jornadas no exterior. Kolecza, mesmo com idade avançada, preserva uma excelente memória. Ele recorda que se submeteu a um grande risco quando decidiu dar uma caminhada pelos arredores de Saigon – numa época em que estrangeiros eram sequestrados pelos vietcongues. Quando foi visitar um navio da Cruz Vermelha, deparou-se com cenas trágicas: o local era um centro de treinamento para crianças mutiladas. Ao publicar as reportagens, o jornal ZH dizia estar "na antessala da Terceira Guerra Mundial". Canali, por sua vez, conta que o pedido para cobrir as escaramuças entre Inglaterra e Argentina no Atlântico Sul veio por acaso: morando em Porto Alegre, ele era repórter nacional da TV Globo e o veículo quis enviar para o embate alguém que morasse perto da confusão. Tendo que lidar com diferentes conflitos de versões entre ambos os lados, Canali conseguiu obter um grande furo: imagens exclusivas dos ataques britânicos às ilhas, vazadas pelos próprios soldados argentinos. O acesso à imprensa era proibido naquele território.

Nome com trajetória destacada em redações e na gestão de entidades de classe (como a Associação Nacional de Jornais), Marcelo Rech cita um ensinamento importante: deixar sempre com o repórter in loco a decisão de avançar ou não em determinado território. Segundo sua visão, nenhum patrão pode exigir que um funcionário sacrifique a sua vida ao redor do mundo. Quando documentou a crise nos Bálcãs, ele ficou horrorizado com a crueldade do próprio ser humano: croatas, bósnios e sérvios se trucidaram por conta de diferenças religiosas e muitos ressentimentos acumulados. Quem teve alguma dificuldade para seguir os conselhos de Rech foi Humberto Trezzi. Dotado de uma personalidade sanguínea, ele afirma ser guiado pela adrenalina. Ao acompanhar uma missão de paz do governo brasileiro em Angola, distraiu-se e foi parar em um campo repleto de minas terrestres – por muito pouco não perdendo uma perna. Na Líbia, seguiu os passos dos grupos guerrilheiros que derrubaram Muammar Gaddafi (1942-2011), virando alvo do exército libanês.

Trabalhando em coberturas mais recentes, como os embates do Oriente Médio entre Israel, Hamas e o povo palestino, Rodrigo Lopes tornou-se um repórter multimídia, que produz conteúdo para várias plataformas (rádio, televisão, jornal e redes sociais). Ele diz buscar um equilíbrio entre adrenalina e medo, jamais desistindo de entrar num país conflagrado – mas ficando pouco tempo caso não tenha condição de produzir seus conteúdos. Para Lopes, a cobertura de guerra testa o jornalista em todos os níveis: oferece drama humano, abala a saúde física/mental e permite ver a História sendo escrita ao vivo. Crônicas do fogo cruzado está disponível gratuitamente no YouTube. Apesar de seus méritos, o documentário tem uma lacuna importante: não cita o nome de Flávio Alcaraz Gomes (1927-2011), tidos por muitos como melhor repórter local no campo de batalha.

Sinopse


Trajetória de jornalistas gaúchos que, desde o século XX até os dias atuais, arriscaram suas vidas para trazer informações diretamente das zonas de conflito. A narrativa é feita exclusivamente pelos entrevistados onde relatam momentos históricos marcantes — da Guerra do Vietnã e da Guerra dos Seis Dias, passando pela Guerra das Malvinas até os embates contemporâneos no Oriente Médio e nos conflitos do século XXI. Entre os protagonistas estão Carlos Alberto Kolecza, que, trabalhando na Zero Hora, foi o primeiro repórter enviado especial de um jornal gaúcho (Guerra do Vietnã e Guerra dos Seis Dias), e Geraldo Canali, que cobriu a Guerra das Malvinas pela TV Globo. Atuação de Marcelo Rech, Humberto Trezzi e Rodrigo Lopes, que enfrentaram a transição do jornalismo analógico para o digital e hoje relatam guerras cada vez mais complexas, atravessadas por tecnologia, redes sociais e desinformação.

Créditos finais: // Este filme foi produzido como trabalho de conclusão do Curso de Jornalismo na UniRitter em 2025/2. //

Ficha técnica


IDENTIDADES
Ordem de identificação:
Carlos Alberto Kolecza (enviado especial de Zero Hora à Guerra do Vietnã, 1967),
Rodrigo Lopes (jornalista do Grupo RBS, enviado especial em cinco guerras até o momento, 2025),
Humberto Trezzi (enviado especial de Zero Hora para conflitos na Líbia em 2011 e Angola em 1996; formado há 41 anos e trabalhando no Grupo RBS há 37 anos, em 2025),
Marcelo Rech (enviado especial de Zero Hora à Guerra do Golfo, 1991),
Geraldo Canali (enviado especial da TV Globo à Guerra das Malvinas, 1982).
Não creditado: Alisson Santos.
Arquivo: Marcelo Rech (voz Rádio Gaúcha, fev 1991), Sergio Chapelin (Jornal Nacional, 28 maio 1982), Geraldo Canali (1982), Cid Moreira (Jornal Nacional, 1982).

DIREÇÃO
Direção: Alisson Santos.
Orientação: professor dr. Roberto Villar Belmonte.

ROTEIRO
Roteiro: não creditado.

PRODUÇÃO
Equipe técnica: Eric Pedott, Gabriel Dutra, Matheus Machado. Não creditado: Daniel Rodrigues.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia (não creditado): Eric Pedott.

SOM
Som: não creditado.

MÚSICA
Sem música.

ARQUIVO
Áudio: Trecho de participação de Marcelo Rech na Rádio Gaúcha, em fevereiro de 1991, cobrindo a Guerra do Golfo.

Reportagens de TV:
Cobertura da Guerra das Malvinas (1982), abrangendo locuções de Cid Moreira e Sérgio Chapelin, com reportagens de Geraldo Canali, direto da Argentina. Fonte: CEDOC/TV Globo. Reprodução do material pelo canal Globo News, em 2011.
Cobertura multimídia de Rodrigo Lopes, da guerra entre Israel e Hamas (2023), abrangendo sua fuga dos foguetes disparados pelo grupo terrorista ao território judeu. Fonte: RBS.

Fotografias e documentos:
Fotos pessoais de Carlos Alberto Kolecza e sua família.
Carteira de imprensa de Carlos Alberto Kolecza.
Página do jornal Zero Hora, anunciando cobertura especial no Vietnã, em 1967.
Retrato de Maurício Sirotsky Sobrinho em corredor no prédio de Zero Hora.
Mapa de Angola, destacando a cidade de Kuito.
José Hamilton Ribeiro, ferido em cobertura no Vietnã (1969).
Fotos da cobertura de Marcelo Rech no Kuwait (1991), com estrada bombardeada, loja saqueada, tropas dos Estados Unidos em ação.
Reportagens de Zero Hora, durante a Guerra do Vietnã, em 1967.
Cobertura de Humberto Trezzi na Guerra da Líbia (2011), abrangendo a tentativa de tomada de uma refinaria por grupos rebeldes. Foto com tapa-olho, ferido.
Mapa do sul da América do Sul, destacando as Ilhas Malvinas.
Fotografias nos créditos finais de: Carlos Alberto Kolecza, Marcelo Rech, Geraldo Canali, Humberto Trezzi, Rodrigo Lopes.

FINALIZAÇÃO
Montagem: não creditado.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: UniRitter Centro Universitário Ritter dos Reis-FACS Faculdade de Comunicação Social-Curso de Jornalismo (Porto Alegre).

AGRADECIMENTOS
Agradecimento: professora dra. Sandra Henriques. Não creditado: professor Emiliano Cunha.

FILMAGENS
Brasil / RS, em Porto Alegre, em lugares como: apartamento de Kolecza; redação do jornal Zero Hora (entrevistas com Lopes, Trezzi).

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 1:22:36
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela:
Formato de captação:
Formato de exibição:
Legendas: Português.

DIVULGAÇÃO
Cartaz: Jordana Espinoza.

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa:
Contato:

OBSERVAÇÕES
Créditos complementares da página do filme no YouTube.

Títulos alternativos:
Grafias alternativas:
Grafias alternativas (funções):

BIBLIOGRAFIA
SANTOS, Alisson Ladir Lopes dos. Crônicas do fogo cruzado: um documentário sobre os jornalistas gaúchos na cobertura de conflitos armados. Porto Alegre: UniRitter Centro Universitário Ritter dos Reis-Faculdade de Comunicação Social-Curso de Jornalismo, 2025. 38f. il. Orientação: Roberto Villar Belmonte. [monografia]
[https://repositorio-api.animaeducacao.com.br/server/api/core/bitstreams/852f4c1d-2ce3-45d9-bc30-d586a0d152db/content]

Exibições


• YouTube, disponível desde 28 fev 2026

• Porto Alegre (RS), ARI Associação Riograndense de Imprensa (Av. Borges de Medeiros, 915 / 8º andar) Salão Nobre, 13 maio 2026, qua, 19h (às 20h30, painel A guerra em pauta, com Humberto Trezzi e Rodrigo Lopes)

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Crônicas do fogo cruzado. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2026. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/4921/cronicas-do-fogo-cruzado. Acesso em: 10 de julho de 2026.