Argus Montenegro e a instabilidade do tempo forte (2012)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Não ficção
cor, 77 min

Direção: Pedro Isaias Lucas.
Companhia produtora: Artéria Filmes; Okna Produções

Primeira exibição: Arraial d'Ajuda (BA), Arraial Cine Fest 5º Festival Internacional de Cinema e Vídeo [24-31 mar], Rigatoni Beach Club Brasil, 25 mar 2012, dom, 20h
Primeira exibição RS: Porto Alegre (RS), Cine Santander Cultural, 20-26 abr 2012, sex-qui, 15h, 17h, 19h

 

No cenário musical Argus Montenegro é cultuado. O instrumentista acompanhou grandes nomes da música nacional, que, de passagem pelo Rio Grande do Sul nos anos 1960, contratavam-no como baterista para os shows locais. Também foi professor e ensinou talentosos bateristas do cenário musical brasileiro, incluindo Kiko Freitas, Nenê, Daniel Batera. Embora tenha vivido no ostracismo em sua própria cidade natal, Porto Alegre, Argus alcançou reconhecimento internacional, principalmente nos Estados Unidos, onde foi convidado a morar, tocar e ensinar música.

O diretor Pedro Isaias Lucas acompanhou os últimos sete anos de vida de Montenegro. As gravações do filme ocorreram, em sua maioria, na casa do baterista, no bairro Glória, em Porto Alegre. Ele conta histórias e apresenta composições, narrando sua trajetória e a da música no Brasil dos últimos cinquenta anos. Argus Montenegro e a instabilidade do tempo forte resgata a importância do baterista e reafirma as raízes do instrumento, suas possibilidades rítmicas, sua poética e sua contribuição à cultura musical brasileira e internacional.

Argus Montenegro começou a tocar bateria na metade da década de 1950, em uma época em que não havia disc jockey animando bailes juvenis e as músicas eram executadas ao vivo em clubes, bares, confeitarias e boates. Por esse motivo, existia um razoável mercado de trabalho para os músicos. A televisão ainda era um veículo em afirmação e o grande meio de difusão era o rádio. A música brasileira sofria grande influência do bolero, um ritmo mexicano com harmonias e letras melancólicas, que exerceu forte influência sobre o samba-canção. Nessa época Argus, depois de tocar numa boate do centro da cidade, foi chamado por um amigo para ver um baiano tocando violão num clube próximo dali. Era João Gilberto acompanhado apenas por uma caxeta. O ano era 1956 e o cantor ainda estava desenvolvendo o método de tocar e cantar, que tanto o consagraram posteriormente. O fato repercutiu na vida desse baterista jovem, que tocava bolero e samba-canção, estilos que nada tinham a ver com a sua personalidade e a sua idade. Ele só foi entender melhor o que havia assistido quando ouviu pelo rádio Tito Madi cantando "Chega de saudade", acompanhado pelo baterista Edson Machado, que fazia a levada de samba no prato enquanto marcava no aro da caixa a batida de caxeta. Possuidor de uma aptidão pessoal, Argus desenvolveu rapidamente essa maneira de tocar bateria, incrementando ao seu modo o groove que veio a ser conhecido como Bossa Nova anos mais tarde. No início dos anos 1960 ele já acompanhava grandes nomes da música nacional, que, de passagem pelo Rio Grande do Sul, contratavam-no como baterista para os shows locais. Foi assim que ele teve a oportunidade de tocar com Lúcio Alves, Dick Farney, Pery Ribeiro, Leny Andrade, Carlos Lyra, Elis Regina.

A partir da aceitação internacional da Bossa Nova, surgiu um interesse por músicos brasileiros sem precedentes no exterior. Em 1969 Argus, aproveitando essa nova demanda, embarcou em um navio transatlântico como músico de bordo integrando um quinteto formado por sax, piano, baixo, bateria e vibrafone. Na América Central ele buscou interação com os músicos locais de Kingston, Trinidad, San Tomaz, Guadalupe, Porto Royal... onde sua música sofreu forte influência dos ritmos afro-caribenhos. Quando retornou para o Brasil, deparou-se com uma situação musical muito diferente daquela anterior à sua viagem. Sem espaço para a sua música no mercado nacional, restou-lhe o trabalho de professor do instrumento a que dedicara toda a sua vida.

O filme acompanha o convalescimento desse baterista, que não aceitou as transformações do mercado musical nas últimas décadas, e se recusou a deixar de tocar por falta de espaço para o estilo de música que praticava: Bossa Nova, jazz e música centro-americana. É nesse momento que o filme deixa de tratar do passado e revela a progressiva obsessão de Argus pela música e pela bateria, situação que o leva a se refugiar em uma realidade alternativa, que afeta drasticamente sua vida pessoal. Argus faleceu em 2008.

Ficha técnica


IDENTIDADES
Argus Montenegro.
Músicos: José Augusto Montenegro (bateria), Adão Pinheiro (piano, teclado), Tenisson Ramos (contrabaixo), Dionara Schneider (piano).
Wladimir Latoada, Clóvis Ibañez, Heitor Barbosa, Pegui Montenegro, Kiko Freitas, Edílson Ávila.

DIREÇÃO
Direção: Pedro Isaias Lucas.

ROTEIRO
Roteiro: Pedro Isaias Lucas.

PRODUÇÃO
Produção: Aletéia Selonk.
Produção executiva: Aletéia Selonk, Graziella Ferst.
Direção de produção: Paula Gastaud.
Coordenação de produção: Marcelo Martins.
Assistência de produção: Clarisse Basso, Natalia Guasso.
Produção de campo: Karen Campos.

EQUIPE Okna Produções: Larissa Bermudez, Laura Coelho, Marina Volpatto, Clarissa Milford, Laura Linn.
EQUIPE Artéria Filmes: Natalia Guasso, Clarisse Basso.

Produção comercial: Angela Martins Troian.
Assessoria jurídica: Patrícia Dias Goulart.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia: Pedro Isaias Lucas.
Operação de câmera: Dimitre Lucho, Boca Migotto, Pedro Isaias Lucas, Daniel Sasso, Diógenes Fritsch de Moraes, Pablo Chasseraux, Eduardo Nascimento Rosa.

Fotografia de cena: Eduardo Seidl.
Making of: Dimitre Lucho.

SOM
Som direto: Cleber Neutzling, Leandro Lefa.
Gravação de som bateria: Leo Bracht.

MÚSICA
Direção musical: Leo Bracht, Vagner Cunha.
Música original: Vagner Cunha.
Músicos: Vagner Cunha (violinos, violas, celesta, harmonium, baixos adicionais), Bella Stone (vozes femininas), Jorginho do Trompete (trompete), Leonardo Winter (flauta), Luiz Mauro Filho (piano), Everson Vargas (contrabaixo acústico), Zé Montenegro (bateria).
Gravação da bateria de Argus: Leo Bracht.
Gravação e mixagem de trilha musical: Leo Bracht.
Técnico assistente: Rodrigo Panassolo.

Músicas:
• Improvisações de Argus Montenegro na bateria
• "Ilusão à toa" (Johnny Alf) por Argus Montenegro e Dionara Machado // Editora: Irmãos Vitale
• "Argus Montenegro" (Vagner Cunha)
• "Samba pro LuZÉver" (Luiz Mauro Filho, Zé Montenegro, Everson Vargas)
• "Pra ti pai" (Zé Montenegro) por Luiz Mauro Filho (piano), Everson Vargas (contrabaixo acústico), Zé Montenegro (bateria)

• "Poema" (Beatriz Regina Montenegro Laurito)
• "O Músico" (Beatriz Regina Montenegro Laurito)

ARQUIVO
Materiais não identificados.

FINALIZAÇÃO
Montagem: Pedro Isaias Lucas, Dimitre Lucho.
Assistência de montagem: Luiza Farias, Mariana Shuster.
Consultoria de montagem: Fabio Lobanowsky.

Finalização: Luciano Martins Fagundes.
Finalização adicional: Filipe Barros.

Desenho de som: Leo Bracht.
Foley: Leandro Lefa, Ursula Collischonn.
Foley de pandeiro: Tuti Saqui.
Gravação e edição de foley: Leonardo Dias, Rodrigo Panassolo.
Edição de som e mixagem: Leo Bracht.

EQUIPE Link Digital
Atendimento: Denise Miller, Jal Guerreiro, Luciana Sabino.
Coordenação de finalização: João Paulo Reis, José Arruda Junior.
Coordenação técnica: Roberto Tyszler.
Colorista: Pedro Conforti, Daniel Hernandez.
Estação Fire: Cláudio Iorio, Rogério Boechat.
Estação Final Cut: Bernardo Pimenta, Cris Salara.
Central técnica: Diogo Santos, André Fajardo.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Serviços de som: Transcendental Audio (Porto Alegre).
Estúdio de finalização de imagem: Link Digital (Rio de Janeiro).

Assessoria contábil: Faccioni Contabilidade (Porto Alegre).

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: Artéria Filmes (Porto Alegre); Okna Produções (Porto Alegre).
Financiamento (BR/RS): FUMPROARTE Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural / Secretaria Municipal da Cultura / Prefeitura de Porto Alegre. Concurso 2005/1, categoria: audiovisual. Proponente: Artéria Filmes Ltda..
Captação de recursos: através da LIC-RS Lei de Incentivo à Cultura Lei nº 10.846/96 / SEDAC Secretaria de Estado da Cultura / Governo do Rio Grande do Sul.
Patrocínio: NET – O mundo é dos nets; Intral – Reatores e luminárias.
Apoio: Odery-Hand Made Custom Drum; Link Digital (Rio de Janeiro); Transcendental Audio (Porto Alegre); CTAv Centro Técnico Audiovisual (Rio de Janeiro); RBS TV (Porto Alegre); City Lab Laboratório Digital; Otto Desenhos Animados (Porto Alegre); Firma Filmes (Porto Alegre); Estúdio Fotorama; Restaurante Saikô; Restaurante Joe & Leo's; Restaurante 72 New York; Restaurante Z Café; Restaurante Marco's; Restaurante Nicu's; Café Senhor do Bom Fim.

AGRADECIMENTOS
Agradecimentos: Ana Lucia Licks, Ana Luiza Matte, Antônio Ronsani Raymundo, Antônio Venâncio, APTC-ABD-RS, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Auwe Digital, Bar Ocidente, Beatriz Montenegro, Carla Novo, Cine Santander Cultural, Clarice M. Oliveira, Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia / Prefeitura Municipal de Porto Alegre, CTAv Centro Técnico Audiovisual (Rio de Janeiro) / SAv Secretaria do Audiovisual / MinC Ministério da Cultura, Daniel Batera, Eduardo Wannmacher, Eliana Martins da Silva, Elpides Antônio Ferreira, Fernado Pullman, Fiapo Barth, FM Cultura, Francisco Marshall, Gonna Shneider, Good Music, Guiga, Guto Goffi, Ivone Pacheco, Janira Lucas Ferreira, Júlia Aguiar, Julia Barth, Laura Azevedo Mansur, Leo Martinez, Letícia C. Migotto, Lino Hercílio Tavares de Souza, Lorena Martins, Lucindo Lopes da Silva, Luka Anhaia Melo, Lupicínio Rodrigues Filho, Maracatu Brasil, Marcelo Santiago, Márcio Machado, Marcus Mello, Michele Ruaro, Mil Sons, Milton do Prado, Moah Cyrr, Natalia Guasso, Olinto Migotto, Otto Guerra, Panda Filmes, Paulo Pinheiro, Programa Radar, Rafael Ferretti, Raquel Zangrandi, Raul Costa Júnior, Ray Produções, RBS TV, Romualdo Paz, Sala P. F. Gastal, Sexteto Blazz, Studio Clio, Tânia Maria Lucho de Souza, Tathyana Genova, Theatro São Pedro, Tiragem Serigrafia, Totonho Villeroy, TVE RS, Unibanco Arteplex Porto Alegre, Vicente Zanatta, Victor Mateus Ferreira, Vídeo-Luz e Maquinaria, Youle Filmes.

FILMAGENS
Brasil / RS, em Porto Alegre.

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 77 min (SulFlix)
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela:
Formato de captação:
Formato de exibição:

DIVULGAÇÃO
Sinopse: Glênio Póvoas.
Design gráfico: Leo Lage.
Site: Visoart.
www.argusmontenegrofilme.com.br

PREMIAÇÃO
• Arraial Cine Fest 5º Festival Internacional de Cinema e Vídeo, Arraial d'Ajuda, 2012: melhor documentário brasileiro.
• Festival Conexão Vivo Movida: melhor documentário pelo júri (cidades de Belo Horizonte e Salvador) + júri oficial.

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa:
Distribuição: Okna Produções.
Contato: Artéria Filmes; Okna Produções.

OBSERVAÇÕES
Créditos finais: // Argus Montenegro (04/06/1936 – 15/06/2008) // Artéria Filmes Ltda. © MMXI //
Em apoio aparece Transcendental Audio e Estúdio Transcendental (provavelmente trata-sem do mesmo estúdio).

Grafias alternativas: Fábio Lobanowski | Eduardo Rosa | Diógenes Morais | Raul Costa Jr. | Ivanir Migotto | Cine Santander | Moah
Grafias alternativas (funções): Still | Artista de foley | Color grading | harmônio (cf. créditos)

DISCOGRAFIA

BIBLIOGRAFIA

Exibições


• Arraial d'Ajuda (BA), Arraial Cine Fest 5º Festival Internacional de Cinema e Vídeo [24-31 mar], Rigatoni Beach Club Brasil, 25 mar 2012, dom, 20h

• Porto Alegre (RS), Cine Santander Cultural,
20-26 abr 2012, sex-qui, 15h, 17h, 19h (dia 21, 19h, comentada com o diretor, a produtora Aletéia Selonk e com o baterista José Augusto Montenegro. filho de Argus)
27 abr-3 maio 2012, sex-qui, 19h
4-6 maio 2012, sex-dom, 19h
6 maio 2012, dom, manhã (para Clube de Cinema de Porto Alegre)

• Caxias do Sul (RS), Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho (R. Luiz Antunes, 312, bairro Panazzolo), 28, 29 abr 2012, sab, dom, 18h

• Porto Alegre (RS), Cinemateca Paulo Amorim-Sala Eduardo Hirtz, 22-27 maio 2012, ter-dom, 14h30, 17h50

• TVE RS, 15 out 2014, qua, 23h30 + 18 out, sab, 23h

• Porto Alegre (RS), I Festival Cinema Negro em Ação [20-26 nov], 26 nov 2020, qui

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Argus Montenegro e a instabilidade do tempo forte. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2024. Disponível em: https://cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/808/argus-montenegro-e-a-instabilidade-do-tempo-forte. Acesso em: 18 de maio de 2024.